REUTERS/Maxim Shemetov
REUTERS/Maxim Shemetov

Chanceler russo diz que crise na Venezuela precisa ser resolvida pacificamente

Serguei Lavrov diz que diferenças no país caribenho devem ser superadas 'através do diálogo nacional e sem ingerências exteriores'; China também critica ameaça dos EUA de atuar militarmente em Caracas

O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2017 | 10h02

MOSCOU - O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, enfatizou nesta quarta-feira, 16, a necessidade de se resolver pacificamente e sem intervenção externa a crise na Venezuela.

Os comentários de Lavrov foram feitos depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou uma possível intervenção militar no país sul-americano, fazendo com que o líder venezuelano, Nicolás Maduro, convocasse exercícios militares.

"É necessário superar as diferenças pela via pacífica, através do diálogo nacional e sem ingerências exteriores, e dizer que são inaceitáveis as ameaças de intervenção militar nos assuntos internos desse país", disse após se reunir em Moscou com seu colega boliviano, Fernando Huanacuni.

Trump advertiu na sexta-feira que os Estados Unidos têm "muitas opções para a Venezuela, incluída uma possível opção militar se for necessário".

Os ministros de Rússia e Bolívia, dois dos aliados mais firmes do regime de Maduro, reiteraram a rejeição a qualquer ingerência exterior nos assuntos da Venezuela.

As autoridades russas também anunciaram o envio da primeira carga de 30,5 mil toneladas de grãos à Venezuela desde o porto de Novorossiysk, no sul da Rússia. É a primeira vez que a Rússia exporta grão ao país latino-americano, que tradicionalmente compra esse cultivo dos EUA e Canadá.

Pequim

O chanceler da China, Wang Yi, reiterou a neutralidade de seu país na atual crise política vivida na Venezuela, e destacou que as pressões externas não ajudam em sua resolução, informou a agência oficial de notícias "Xinhua".

"A história já demonstrou que pressão e interferências do exterior não ajudam a solucionar uma crise", enfatizou o chanceler chinês em um encontro na terça-feira com seu equivalente boliviano, Fernando Huanacuni, no qual a questão venezuelana esteve na agenda.

Os problemas na Venezuela "devem ser solucionados por seu próprio governo e seu povo", acrescentou o ministro chinês, que insistiu que a China não intervirá na questão. Wang enfatizou que a solução na Venezuela deve ser buscada através do diálogo e dentro de marcos legais.

A China é um dos mais importantes parceiros comerciais da Venezuela, país que chegou a ser o principal destino dos investimentos chineses na América Latina, dado o interesse especial de Pequim no petróleo venezuelano. / EFE e REUTERS

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