REUTERS/Christopher Pike
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Chanceler saudita reafirma compromisso com palestinos após país permitir sobrevoo israelense

Arábia Saudita entrou colateralmente na polêmica envolvendo o acordo entre Israel e Emirados Árabes Unidos

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 09h18

O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, afirmou nesta quarta-feira, 2, que o país segue comprometido com a causa palestina e o povo palestino. A declaração, feita através das redes sociais, ocorre dois dias depois do reino saudita permitir o sobrevoo de uma aeronave israelense sobre seu território.

Na segunda-feira, 31, foi realizado o primeiro voo comercial entre Israel e Emirados Árabes. Partindo de Tel Aviv, o avião da companhia EL AL chegou a Abu Dhabi utilizando uma rota que cruzou o espaço aéreo da Arábia Saudita, sem contestação do reino, o que acabou envolvendo o país em um dos temas mais delicados de política externa no Oriente Médio atualmente.

O acordo para normalização das relações entre Israel e EAU, mediado pelos Estados Unidos, mexeu com o mundo árabe. Visto por alguns como um possível ponto de partida para o reconhecimento do país judaico pelos Estados árabes, o acordo foi mal recebido por alguns grupos, como palestinos - que tem no apoio árabe uma de suas frentes para o reconhecimento de seu território independente - e pelo Irã, que questiona a aproximação.

Na terça-feira, 1º, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, subiu o tom e declarou que os Emirados Árabes Unidos "traíram o mundo muçulmano, as nações árabes, os países da região e a Palestina" em razão do acordo com Israel. Khamenei ainda disse que a traição "não vai durar para sempre".

Em meio a esse cenário turbulento, a fala do ministro saudita é um aceno para os dois lados do acordo. Se por um lado, o reino reafirma seu compromisso com a causa palestina e com a iniciativa de paz árabe, ao mesmo tempo sinaliza que não vai impor dificuldades a voos que partem ou chegam aos Emirados Árabes Unidos.

Além do contexto do acordo, a declaração do chanceler ocorre um dia depois do encontro entre Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente americano Donald Trump, e o príncipe saudita Mohammed bin Salman. A dupla discutiu, entre outros tópicos, a necessidade de retomar as negociações entre os lados palestino e israelense.

"As posições firmes e estabelecidas do Reino da Arábia Saudita em relação à causa palestina e ao povo palestino não mudarão ao permitir a passagem, no espaço aéreo, de voos que chegam aos Emirados Árabes Unidos e partem dele para todos os países, e o reino aprecia todos os esforços destinados a alcançar uma paz justa e duradoura de acordo com a Iniciativa de Paz Árabe", escreveu Farhan.

Mesmo sem manter relações oficiais com Israel, a Arábia Saudita mantém uma posição mais moderada em relação ao país - comparado a outros Estados árabes - em razão dos laços com os Estados Unidos.

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