REUTERS/Andres Stapff
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Chanceler uruguaio levará discussão ao Parlasul

Será a primeira manifestação do diplomata após a convocação ontem pelo Itamaraty do embaixador uruguaio em Brasília para explicações, gesto que agravou a tensão entre os vizinhos

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

17 Agosto 2016 | 05h00

A divergência sobre a presidência semestral do Mercosul chegará hoje ao Parlamento do Mercosul (Parlasul). O chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, foi convocado pela mesa diretora do contestado braço legislativo do bloco. Será a primeira manifestação do diplomata após a convocação ontem pelo Itamaraty do embaixador uruguaio em Brasília para explicações, gesto que agravou a tensão entre os vizinhos.

O autointitulado “grupo de alto nível” do Parlasul, criado na semana passada, conseguiu reunir cinco deputados que representam todos integrantes do Mercosul, mas a perspectiva de avanço é mínima. Eles têm em geral linha diferente da seguida pelos seus países de origem. “Chama a atenção principalmente que a composição desse grupo do Parlasul não corresponda à posição dos governos do Brasil e da Argentina hoje”, diz o analista político uruguaio Jorge Lanzaro, da Universidad de La República, um dos que contestam a produtividade do Parlasul.

O coordenador da iniciativa parlamentar é o kirchnerista Jorge Taiana, chanceler durante cinco anos, no mandato de Néstor Kirchner (2003-2007) e no início do governo de Cristina (2007-2015). Também estarão na reunião com Nin Novoa o petista Arlindo Chinaglia e o uruguaio Daniel Caggiani, da ala mais à esquerda da coalizão governista Frente Ampla. 

O representante venezuelano, Luis Emilio Rondón, faz oposição a Nicolás Maduro. O único naturalmente alinhado com seu Executivo é o paraguaio Tomás Bittar, do Partido Colorado, de linha conservadora como o presidente Horacio Cartes.

Alguns analistas uruguaios argumentaram ontem em rádios locais que ofertas comerciais como a feita pelo Brasil durante a visita do chanceler José Serra foram aceitas em outras ocasiões. Lanzano afirma que a entrada de Caracas no Mercosul em 2012, quando José Mujica foi pressionado por Brasil e Argentina a aceitar a suspensão do Paraguai pelo impeachment de Fernando Lugo, teve também razões financeiras.

O Uruguai tornou-se um forte fornecedor de lácteos para os venezuelanos – setor que hoje cobra de Caracas uma dívida de US$ 100 milhões. Outras áreas da indústria uruguaia pedem o pagamento de mais US$ 30 milhões. Apoiar a reivindicação de Maduro de voltar a presidir o Mercosul – já o fez entre julho de 2013 e julho de 2014 – seria um forma de a Frente Ampla facilitar essa quitação, além de atender à pressão da militância, descontente com um forte ajuste fiscal.

 

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