Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Chanceler venezuelano acusa EUA de 'aprofundar confronto' com Caracas

Para Ministro, Washington ficará isolado caso Barack Obama assine lei aprovada pelo congresso que o obriga a impor sanções a funcionários do governo da Venezuela que persigam opositores do chavismo

CARACAS, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2014 | 02h01

O chanceler da Venezuela, Rafael Ramírez, disse ontem que se o presidente dos EUA, Barack Obama, assinar a lei - aprovada pelo Congresso americano na noite de quarta-feira - que o obriga a aplicar sanções contra funcionários do governo venezuelano acusados de violar direitos humanos de opositores ele "aprofundará o confronto com Caracas e ficará isolado".

Na sequência, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse que as sanções americanas não farão com que o líder opositor Leopoldo López, preso há dez meses, seja libertado. "Os EUA acreditam que sancionando a Venezuela vamos soltar o assassino", disse ele, em Caracas. "Aqui não tem como, imperialistas dos EUA, vocês possam nos pressionar, pois a Venezuela é um país livre", acrescentou.

O ministro venezuelano afirmou que ficará a cargo de Obama decidir "até que ponto" as diferenças entre EUA e Venezuela se aprofundarão.

"O que revisei dessa lei deixa isso nas mãos do presidente e ele verá - e o governo americano verá - até que ponto quer aprofundar o confronto conosco. Imagino que ele ficará isolado", disse o chanceler venezuelano ao canal Telesul, em Lima, onde participa da conferência sobre mudança climática COP20.

O chanceler venezuelano afirmou que a América Latina se posicionará contra a decisão americana - que foi aprovada também pelo Senado e, segundo fontes da Casa Branca, será assinada por Obama - pois os países da região defendem sua soberania. Ele garantiu que o governo da Venezuela atua segundo suas leis e Constituição.

"Creio que os EUA teriam muito mais a perder do que nós nesse confronto. Nós, muito pelo contrário, vamos nos fortalecer em nossa moral e em nosso espírito de combate em defesa de nosso país", disse o ministro. "Estamos dispostos a mobilizar todo o nosso povo em defesa de nosso governo e de todas as nossas instituições, em defesa da nossa Constituição."

De acordo com dados reunidos pela ONU, 3,3 mil pessoas foram presas durante os protestos ocorridos no primeiro semestre na Venezuela. As autoridades venezuelanas, segundo a organização, cometeram abusos como maus-tratos, tortura e humilhações.

Em fevereiro, no início da onda de manifestações, o opositor Leopoldo López, que conclamou protestos de rua exigindo a renúncia do presidente Nicolás Maduro, foi preso. López foi indiciado por incêndio, incitação à violência, dano à propriedade pública e associação para o crime. Ele poderá ser condenado a 13 anos de prisão. A ONU pede sua libertação e qualifica a detenção como "arbitrária".

A opositora María Corina Machado, que liderou o movimento opositor "A Saída", ao lado de López, foi indiciada no dia 3 por envolvimento em uma suposta conspiração para assassinar Maduro. Ela pode ser condenada a até 16 anos de prisão.

EUA. "A ausência de Justiça e a negação de direitos humanos na Venezuela deve acabar - e o Congresso americano está desempenhando um poderoso papel em consertar esse erro", afirmou o senador americano Robert Menendez, democrata que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado e autor da legislação bipartidária que obriga o governo americano a aplicar sanções contra venezuelanos que persigam opositores do chavismo.

Menendez pediu que outros países sigam a iniciativa. "Governos em nossa região e em todo o mundo devem manifestar solidariedade com os cidadãos da Venezuela negando a funcionários do governo venezuelano envolvidos em violações de direitos humanos permissão de entrada em seus países e acesso aos seus sistemas financeiros", disse o democrata. / EFE e AP

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.