Chanceler venezuelano denuncia imprensa na OEA

A intervenção do chanceler da Venezuela, Roy Chaderton, perante os embaixadores das Américas em Washington deixou claro que uma das maiores preocupações políticas do governo venezuelano continua sendo a imprensa. Chaderton dedicou grande parte de seu discurso a esse tema na sessão do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), que se reuniu apenas para ouvi-lo. Ao final do discurso de Chaderton a sessão foi suspensa pelo embaixador americano, Roger Noriega, presidente do Conselho, sem que nenhum outro embaixador tivesse oportunidade de intervir. O ministro, que debutava em Washington no exercício do cargo para o qual foi indicado há cerca de dois meses, insinuou que os venezuelanos se inteiravam melhor dos fatos que ocorrem em seu próprio país através dos meios de comunicação estrangeiros. Em uma tentativa de demonstrar a veracidade de sua afirmação, Chaderton disse que, durante os acontecimentos que cercaram a destituição temporária do presidente Hugo Chávez em abril, a televisão esteve mais interessada em transmitir desenhos animados, para ocultar os atos violentos dos golpistas nas ruas. "Programa após programa e um meio de comunicação após o outro, o que se tentou foi convencer os venezuelanos e a comunidade internacional de que à frente de nosso país está um feroz e sanguinário ditador, híbrido de Hitler e Stálin", acrescentou. A Comissão Internamericana de Direitos Humanos (CIDH), uma dependência da OEA, recebeu várias denúncias de organizações de imprensa venezuelanas sobre atos hostis cometidos pelo governo. Em alguns casos, impôs medidas cautelares. Tais procedimentos em favor dos demandantes foram qualificados pelo embaixador da Venezuela junto à OEA, Jorge Valero, como "parciais". Ele também criticou a comissão encarregada de examinar a liberdade de expressão, um órgão da CIDH. Perguntado se concordava com a apreciação de Valero, Chaderton não respondeu diretamente. "O apoio do embaixador Valero foi muito útil e construtivo", disse aos repórteres. "Através do diálogo, queremos recuperar e restituir a normalidade ao trato dos assuntos que interessam à Venezuela", acrescentou Chaderton, que, mais tarde, se reuniria com membros da CIDH na sede da embaixada venezuelana.

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