Chanceleres árabes fazem visita histórica a Israel

Delegação da Liga Árabe vai a Jerusalém para promover plano pan-árabe e premiê israelense propõe ?acordo de princípios? a presidente palestino

Reuters, AP e The Times, Jerusalém, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2026 | 00h00

A esperança para a retomada do processo de paz para o Oriente Médio ganhou novo impulso ontem com gestos simbólicos dos dois lados. Uma delegação da Liga Árabe fez uma histórica visita a Israel, enquanto que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, falou com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, sobre o estabelecimento de um Estado palestino. Israel descreveu a visita dos chanceleres da Jordânia e do Egito como uma "medida histórica" por parte das 22 nações da Liga Árabe (que não tem relações diplomáticas com o Estado judeu), mas não aceitou sua iniciativa. Os chanceleres jordaniano, Abdul-Ilah Khatib, e egípcio, Ahmed Aboul Gheit, foram a Jerusalém promover o plano de paz pan-árabe. Segundo o plano, criado em 2002, Israel receberia o reconhecimento de todos os países árabes e do mundo islâmico em troca da retirada israelense de todas as terras capturadas após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a solução para a questão dos refugiados palestinos. "Esta oferta séria constitui uma grande oportunidade em nível histórico", disse o chanceler jordaniano à imprensa ao lado da ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni. "Ela dará a Israel segurança, reconhecimento e aceitação na região", disse Khatib. "Precisamos de um cronograma preciso, breve, e pedimos a Israel que não desperdice esta oportunidade histórica", acrescentou . Israel saudou a proposta apenas como base para negociações, mas disse que algumas partes são inaceitáveis. Israel deixou a Faixa de Gaza em 2005, mas rejeita uma retirada total da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Também se opõe duramente à idéia de repatriação de refugiados palestinos que se tornaram refugiados após a guerra de 1948 e seus descendentes ao que hoje é Israel. Segundo a ONU, seriam cerca de 4,4 milhões de palestinos. Olmert disse ontem pela primeira vez que discutiu com Abbas medidas para a criação de um Estado palestino. Segundo o jornal israelense Haaretz, Israel está propondo novas conversações com os palestinos sobre "um acordo de princípios" que poderia levar ao estabelecimento de um Estado palestino em 90% do território ocupado, com parte de Jerusalém Oriental como sua capital. Israel sairia de partes da cidade, mas manteria a Cidade Velha e o Monte das Oliveiras. Apesar de dar nova esperança ao estagnado processo de paz, o plano oferece menos concessões que o rejeitado por Yasser Arafat durante as conversações de 2000 com o então primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak. Os EUA têm pressionado Israel a retomar conversações de paz com Abbas, que no mês passado dissolveu o governo de união com o Hamas - após o grupo radical tomar o controle de Gaza - e estabeleceu um novo governo na Cisjordânia.

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