REUTERS / Jose Miguel Gomez
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Chanceleres da OEA negam abordar crise entre Colômbia e Venezuela em reunião

Convocação teve um voto a menos que o necessário; debate sobre situação entre os dois países, que ocorreria na quinta-feira, foi adiado para o dia 8 de setembro

O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2015 | 08h26

QUITO - A Organização dos Estados Americanos (OEA) rejeitou ontem o pedido da Colômbia para uma reunião especial de chanceleres sobre a crise diplomática entre Bogotá e Caracas provocada pelo êxodo forçado de milhares de colombianos do território venezuelano.

"Vamos continuar com nossas propostas. Isto está apenas começando", disse o embaixador colombiano Andrés González após a votação.

A convocação da reunião extraordinária de chanceleres da OEA, proposta pela chanceler colombiana, María Ángela Holguín, obteve 17 votos, um a menos que o necessário.

O pedido foi apoiado por Uruguai, Estados Unidos, Chile e México, entre outros, e rejeitado por Equador, Haiti, Bolívia e Nicarágua. Outros onze países se abstiveram, incluindo Panamá, que insiste em mediar a crise.

Durante a reunião na sede da OEA em Washington, que durou mais de três horas, Colômbia e Venezuela expressaram pontos opostos sobre a situação na fronteira.

A Colômbia pediu uma "rápida ação" da OEA para resolver a crise diplomática envolvendo o êxodo forçado de milhares de colombianos do território venezuelano.

"Trata-se de uma situação humanitária grave, complexa e que requer uma rápida reação, expressão e atitude de todos nossos países americanos", declarou o embaixador colombiano Andrés González.

O embaixador venezuelano Roy Chaderton defendeu a decisão "democrática" de seu governo de fechar a fronteira com a Colômbia e deportar os colombianos. Ele também expressou sua "suspeita" de que a reação de Bogotá corresponde a interesses eleitorais.

"Algo pode parecer suspeito pela magnitude do escândalo que foi feito sobre uma decisão soberana do governo da Venezuela", disse Chaderton.

Para o diplomata, a verdadeira "crise humanitária é a que produziu o êxodo de cinco milhões e meio de colombianos" que cruzaram durante anos a Venezuela, fugindo do conflito armado em seu país.

Chaderton ainda defendeu que a crise seja resolvida de forma bilateral, com uma reunião entre os presidentes dos dois países, algo já oferecido pelo líder venezuelano, Nicolas Maduro.

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, assumiu o cargo no último dia 26 de maio com a promessa de dar relevância à entidade frente às alianças regionais em ascensão como a União das Nações Sul-Americana (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Almagro esteve presente no conselho, mas não fez nenhuma intervenção ou declaração posterior à imprensa.

Adiamento. A reunião dos chanceleres da Unasul para tratar da crise, anunciada por Bogotá para esta quinta-feira, em Quito, foi adiada, a princípio para o dia 8 de setembro.

O encontro "não será no dia 3 (de setembro), e está ciente a presidência temporária" da Unasul, disse à imprensa Xavier Lasso, chanceler encarregado do Equador.

Lasso justificou o adiamento porque no início de setembro a chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez, estará em visita oficial na China e no Vietnã. "Vamos ver se a Colômbia aceita o dia 8 (de setembro). O que está claro é que o dia 3 não é possível", informou o chanceler.

Segundo números do governo colombiano, as autoridades venezuelanas deportaram cerca de mil de seus compatriotas e mais de 6 mil voltaram a seu país voluntariamente por medo de serem expulsos à força, ficarem separados de suas famílias e perderem seus pertences.

A tensão entre Bogotá e Caracas começou em 19 de agosto com o fechamento de alguns pontos fronteiriços pelo presidente Nicolás Maduro após um ataque de desconhecidos a militares venezuelanos, que o governo da Venezuela atribui a "paramilitares colombianos".

A crise se aprofundou mais na quinta-feira passada, quando ambos países chamaram seus embaixadores para consultas. Na sexta-feira, Maduro ampliou o estado de exceção para dez municípios da zona fronteiriça "para limpar o paramilitarismo, a criminalidade, o contrabando, os sequestros e o narcotráfico".

Segundo González, entre os refugiados encontram-se "mais de 244 meninos e meninas. Não são paramilitares", afirmou. /AFP e EFE

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