Chanceleres da Unasul farão mediação na Venezuela

Peso de grupo ministerial, definido em reunião do bloco, em Santiago, deve facilitar diálogo entre oposição e governo da Venezuela

Lisandra Paraguassu, Enviada Especial / Santiago, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2014 | 23h21

SANTIAGO - A mediação entre o governo da Venezuela e os grupos de oposição será feita pelos chanceleres dos países que formam a União de Nações Sul-Americanas (Unasul). A reunião que deverá incluir todos os envolvidos na crise venezuelana e os chanceleres regionais deve ocorrer na primeira semana de abril.

A criação da comissão ministerial foi acertada na quarta-feira, 12, na reunião extraordinária da organização em Santiago. Depois de quatro horas de encontro, os chanceleres optaram por uma declaração que, embora manifestasse "enérgico rechaço" aos atos de violência", cobra o respeito à liberdade de expressão e de reunião pacífica, circulação e livre trânsito, classificadas como condições fundamentais à integração da região.

Reunião extraordinária da Unasul definiu comissão que tentará facilitar diálogo na Venezuela (Foto: Maglio Perez/Reuters)

A opção por uma comissão de chanceleres foi a estratégia encontrada pela Unasul para tentar baixar o tom de confronto entre governo e oposição. Fontes diplomáticas ouvidas pelo Estado avaliam que o peso dos chanceleres deve obrigar o diálogo e fará com que os principais grupos de oposição, que até agora se recusaram a participar da conferência de paz convocada por Nicolás Maduro, se sintam obrigados a comparecer.

Acordo

Nesta quarta, a Mesa de Unidade Democrática, principal grupo de oposição da Venezuela, enviou uma carta à Unasul em que garante sua participação em um diálogo "com uma pauta clara e onde houver um terceiro mediador". A decisão da Unasul atende a essas reivindicações.

A criação de uma comissão mediadora vinha sendo negociada há alguns dias e chegou a ser anunciada, na terça-feira, pela presidente Dilma Rousseff, em uma entrevista antes da posse da presidente do Chile, Michelle Bachelet. Inicialmente, a Venezuela resistia em aceitar mediadores externos, mas foi convencida a fazer um pedido formal de apoio à Unasul.

"Nós nos sentimos profundamente satisfeitos com a resolução, nos sentimos apoiados na batalha que está travando o povo venezuelano pela democracia, pela paz, pela estabilidade política em nosso país", disse o chanceler da Venezuela, Elías Jaua, que repetiu a afirmação de que seu governo enfrenta uma tentativa de golpe.

O chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, confirmou que seus colegas da região sentarão à mesa com todos os espectros políticos venezuelanos. "Queremos que todos estejam lá para participar desse diálogo de concórdia e paz. E a Unasul está em uníssono apoiando esse diálogo", afirmou.

A declaração final da reunião, além de confirmar a criação da comissão e de declarar o apoio aos esforços da Venezuela pelo diálogo, incluiu um último parágrafo em resposta às ameaças americanas de instituir sanções contra Caracas. O documento "expressa preocupação com qualquer ameaça à independência e soberania da República Bolivariana da Venezuela".

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