REUTERS / Jose Miguel Gomez
REUTERS / Jose Miguel Gomez

Chanceleres de Colômbia e Venezuela debatem hoje crise na fronteira

Bloqueio da passagem imposto por Caracas já afeta oferta de mercadorias no lado colombiano e cidade de Cúcuta decreta estado de calamidade pública; presidente da Assembleia Nacional venezuelana diz que situação deve ser resolvida por Bogotá

Roberto Lameirinhas ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2015 | 02h00

Na véspera do encontro entre as chanceleres de Venezuela e Colômbia, Delcy Rodríguez e María Ángela Holguín, para discutir a crise na fronteira entre os dois países – fechada na quinta-feira por ordem do presidente Nicolás Maduro –, a Assembleia Nacional venezuelana manteve ontem uma sessão extraordinária em San Antonio de Táchira, cidade vizinha da colombiana Cúcuta.

Presidido por Diosdado Cabello, o Legislativo do país aprovou o decreto emitido por Maduro impondo estado de emergência em cinco cidades na fronteira com a Colômbia para combater, segundo o governo, a ação de paramilitares colombianos e atividades de contrabando, que desviam para o território colombiano bens e produtos subsidiados pela Venezuela.

Em meio às deliberações, Cabello rejeitou acusações da oposição de que autoridades venezuelanas estavam violando direitos humanos de colombianos que vivem na fronteira – dos quais mais de 800 foram deportados nos últimos dias – e de causar uma crise humana do lado da Colômbia. Ameaçada pelo fim do tráfego de mercadorias pela Ponte Internacional Simón Bolívar, a prefeitura de Cúcuta declarou-se em estado de calamidade pública.

“Tenho recebido relatos e queixas de que Cúcuta está sem gasolina e há escassez de comida na cidade. Tenho recebido queixas de que estamos criando uma crise humana em Cúcuta”, declarou Cabello. “Lamento muito por Cúcuta, mas Cúcuta é uma cidade colombiana. O que o governo da Venezuela tem com isso? Quem tem de resolver o problema dos colombianos é o governo colombiano. Na Venezuela, temos de garantir os direitos dos venezuelanos, que a comida chegue aos venezuelanos, que os venezuelanos tenham gasolina.”

Um dia antes, Maduro havia qualificado de “podre” a situação na fronteira entre os países e responsabilizou o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe pela violência e pelo contrabando. Uribe, ao mesmo tempo, esteve em Cúcuta para denunciar “maus-tratos” impostos pelas autoridades venezuelanas aos colombianos e qualificar o fechamento da fronteira de “atitude arbitrária do ditador Maduro”. Uribe também criticou a atitude que considerou “frouxa” do presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

A decisão de Maduro de fechar a fronteira se deu após um ataque atribuído a paramilitares da Colômbia contra quatro agentes do Estado venezuelano que supostamente investigavam as ações de contrabando. Dois deles permaneciam ontem em estado grave. Na segunda-feira, Maduro também afirmou que militares venezuelanos tinham identificado os autores materiais do ataque, que teriam agido por ordem de grupo paramilitares colombianos.

Também ontem, o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, afirmou que a organização regional está disposta a ajudar na solução da crise. 

Samper também afirmou que “as deportações de colombianos pela Venezuela prejudicam o clima de opinião necessário para perseguir os paramilitares colombianos que estão passando pela fronteira”. O anúncio foi feito após Maduro solicitar a ação da Unasul e convidar Samper “de maneira imediata” a Caracas para tratar da questão.

Tudo o que sabemos sobre:
VenezuelaColômbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.