André Dusek/AE
André Dusek/AE

Chanceleres do Mercosul suspendem o Paraguai até eleições presidenciais

Suspensão é inédita em 21 anos de história do bloco e deve ser anunciada nesta sexta-feira

Ariel Palacios, enviado especial à Mendoza,

28 de junho de 2012 | 16h07

MENDOZA - Os chanceleres do Brasil, Argentina e Uruguai decidiram nesta quinta-feira suspender o Paraguai das reuniões e decisões do Mercosul até a realização de eleições presidenciais em abril do ano que vem. Fontes diplomáticas afirmaram ao Estado que esta suspensão - inédita nestes 21 anos de História do Mercosul - será confirmada nesta sexta-feira na reunião de presidentes do bloco do cone sul na cidade argentina de Mendoza.

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O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, participou da reunião realizada pelos ministros Antonio Patriota, do Brasil; Luis Almagro, do Uruguai, e o argentino Hector Timerman.

A presença da Venezuela na reunião tem motivos de sobra, já que o país caribenho pede desde 2006 a entrada no Mercosul como membro pleno. O ingresso venezuelano no bloco havia sido aprovado nos últimos anos pelos parlamentos do Brasil, Uruguai e Argentina. No entanto, o pedido de ingresso estava travado no senado paraguaio. Mas, com o Paraguai suspenso, surge a possibilidade de entrada da Venezuela no bloco.

A suspensão temporária do Paraguai havia sido anunciada no domingo à noite em um comunicado da chancelaria argentina, em nome do Mercosul. O motivo da suspensão foi o rápido e controvertido processo de impeachment de Fernando Lugo. Os governos do Mercosul consideraram que o vice de Lugo, Federico Franco, o novo presidente paraguaio, era o responsável pela interrupção da ordem democrática em seu país.

"Esta é uma forma de combater os ‘neo-golpes’ que os setores conservadores querem aplicar nos governos da região, afirmou ao Estado um diplomata argentina engajado no kirchnerismo. Na reunião de chanceleres hoje, o Mercosul definiu um prazo para esta suspensão. 

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