Chances de conversa nunca estiveram tão reduzidas

CENÁRIO: Na terça-feira, o jornal The New York Times publicou um raro artigo assinado por Nicolás Maduro. Nele, o presidente venezuelano expõe sua visão dos dois meses de protestos. O chavista apela ainda para o Congresso dos EUA, que estuda a possibilidade de impor sanções contra a Venezuela, pedindo que não puna seu regime. Enquanto a comunidade internacional continua hesitando em relação a um envolvimento direto, faz-se necessário um pouco mais de clareza.

Juan Nagel*, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2014 | 02h04

Hoje, a Venezuela é mais polarizada do que em qualquer outro momento de sua história recente. O que pensam os dois lados? Poderão encontrar algum entendimento sobre o que quer que seja? O artigo de Maduro constitui um bom início para a análise da questão. Maduro começa afirmando que os venezuelanos estão orgulhosos da democracia que construíram. A oposição, por sua vez, está convencida de que a democracia sofre uma profunda degradação na era chavista - e muitos dos seus integrantes acusam Maduro de ser um ditador.

São posições irreconciliáveis. Ou a Venezuela tem uma democracia forte ou não tem. Uma recente pesquisa de opinião feita pelo instituto local Ivad sugere que a maioria dos venezuelanos (55%) concorda com a oposição nesse ponto.

Também não há entendimento no que se refere à situação da imprensa. A oposição acredita que a mídia se encontra sob pressão e é censurada. O governo contesta afirmando que o mercado da mídia é "florescente". É irônico que, enquanto Maduro usa um veículo estrangeiro para divulgar sua mensagem, os jornais independentes do país não têm papel, porque o governo se recusa a importá-lo. No mesmo dia em que Maduro elogiava a democracia da Venezuela, a doação de papel por jornais colombianos foi mantida em segundo plano.

Na realidade, não há nenhum entendimento entre as partes. A julgar pelos recentes resultados nas urnas, os dois lados dessa disputa se equivalem em termos de dimensões. Mas suas perspectivas são tão radicalmente diferentes que às vezes parecem pertencer a países distintos. Enquanto a comunidade internacional procura separar a verdade da ficção e tenta desempenhar um papel construtivo na promoção de um diálogo, seria aconselhável que reduzisse suas expectativas. Dadas posições tão antagônicas, o diálogo nunca pareceu menos possível.

*Juan Nagel é blogueiro.

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