Maxim Shipenov/Efe
Maxim Shipenov/Efe

Chances de sucesso em ofensiva militar são pequenas

Especialistas acreditam que os israelenses contam com meios limitados para atacar o programa nuclear iraniano

O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2011 | 03h05

Análise: Viola Gienger e Jonathan Ferziger

WASHINGTON - A preocupação com a possibilidade de um ataque militar israelense contra o Irã ignora um fator central: especialistas dizem que as chances de um ataque como esse ser bem-sucedido são pequenas. "Os israelenses contam com meios limitados para atacar o programa nuclear iraniano", disse Richard Russell, professor da Universidade de Segurança Nacional, de Washington. "Trata-se de um problema para os israelenses, e está se tornado cada vez mais sensível."

 

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As instalações do programa atômico iraniano ficam espalhadas numa área ampla, a 1.600 km de Tel-Aviv, separada pelas fronteiras de vários países. Algumas das instalações nucleares são subterrâneas. Yiftah Shapir, diretor do Projeto de Equilíbrio Militar da Universidade de Tel-Aviv, acredita que a Força Aérea israelense é capaz de provocar estragos durante o ataque contra o Irã, mas sem conseguir desativar o programa nuclear de Teerã. "Seria necessário um mês de bombardeios contínuos. Não se trata de algo que Israel possa fazer sozinho", afirmou.

O general da reserva da Força Aérea dos EUA Charles "Chuck" Wald, ex-vice-comandante do comando de combate dos EUA para a Europa, calcula que uma operação contra o Irã exigiria mais de mil mísseis.

Os EUA, aliado mais próximo de Israel, possui um imenso arsenal, incluindo bombas capazes de destruir alvos subterrâneos. Mas o governo do presidente Barack Obama está enfatizando a aplicação de sanções econômicas mais rigorosas, que precisam da aprovação dos aliados europeus, como consequência do relatório da AIEA.

"Israel não deve pensar em enfrentar o Irã sozinho", disse Uzi Eilam, general da reserva e bolsista pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel-Aviv. "A questão é séria e estão fazendo comentários muito irresponsáveis quanto ao que devemos fazer."

Para Russell, um ataque contra o Irã não pode ser comparado ao ataque israelense contra uma suposta instalação nuclear em construção na Síria em 2007 - um único alvo num país vizinho - nem ao ataque contra o reator de Osirak, no Iraque, em 1981. O especialista lembra ainda que existem instalações iranianas subterrâneas cuja localização ainda não foi identificada.

O debate dos últimos dias pode ser um indício de que não estamos na iminência de operações militares, pois é de se supor que os israelenses queiram contar com o elemento surpresa. / BLOOMBERG

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