REUTERS/Tomas Bravo
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Chapo, Mayo e Azul: o trio por trás da ascensão do Cartel de Sinaloa

Face mais visível da organização criminosa, Joaquín Guzmán foi condenado nesta semana à prisão perpétua nos EUA; Ismael Zambada García, considerado o grande chefe deste cartel, nunca foi preso em mais de 40 anos de carreira no crime

Cristiano Dias, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 17h50

A rápida ascensão de Joaquín "El Chapo" Guzmán ao posto de narcotraficante mais odiado do mundo é um exemplo de como a prisão ou o assassinato de chefões do crime organizado tem poucos resultados práticos. 

No início dos anos 90, o Cartel de Guadalajara estava se desmantelando. Toda a direção da organização havia caído. Miguel Ángel Félix Gallardo ("El Padrino"), Rafael Caro Quintero, Ernesto Fonseca Carrillo ("Don Neto") e Juan Matta-Ballesteros haviam sido presos - seuas histórias foram retratados pela Netflix na primeira temporada de Narcos: México, em 2018.

Do espólio da maior organização criminosa do México surgiram vários grupos. O mais importantes deles foi o Cartel de Sinaloa, que trouxe um conceito inovador. Ao contrário da concorrência, que tinha uma estrutura de comando verticalizada, Sinaloa apostou na descentralização, tanto que frequentemente autoridades mexicanas se referem a ele como "Federação" - em vez de "Cartel".

A partir dos anos 90, o Cartel de Sinaloa foi comandado por uma trinca, da qual Chapo era apenas a ponta mais visível. Os outros dois são Ismael Zambada García ("El Mayo") e Juan José Esparragoza Moreno ("El Azul"). Todos foram discípulos de Amado Carrillo Fuentes, o "Señor de los Cielos", embora Mayo e Azul preferissem manter um perfil discreto.

Azul esteve três vezes atrás das grades (1970, 1983 e de 1986 a 1993), mas sempre saiu pela porta da frente, depois de cumprir pena. Os EUA oferecem US$ 5 milhões pela sua cabeça. O México, US$ 1,5 milhão. O FBI suspeita que ele tenha feito uma plástica.

Em junho de 2014, a família do narcotraficante anunciou sua morte: um ataque cardíaco fulminante. Seu corpo foi cremado em uma cerimônia secreta, só para parentes. Ninguém acreditou.

Hoje, Mayo é considerado o grande chefe de Sinaloa. Nunca pisou na cadeia em mais de 40 anos de carreira no crime. Até bem pouco tempo, ele bancava a festa de Natal de El Álamo, vilarejo onde nasceu, e por isso sempre contou com a lealdade e a proteção da população local. 

Em rara entrevista ao jornalista mexicano Julio Scherer García, em 2010, ele contou que vivia nas montanhas do Estado e nunca dormia uma noite no mesmo lugar.

Nesta semana, Chapo foi condenado à prisão perpétua pela Justiça federal dos Estados Unidos por traficar ou tentar traficar mais de 1.250 toneladas de drogas ao país, principalmente cocaína

Ele também recebeu uma pena de 30 anos adicionais à da prisão perpétua, além do pagamento de uma multa de US$ 12,6 bilhões, valor equivalente a uma parcela do que o cartel lucrou no tráfico de cocaína e outras drogas aos EUA em 25 anos.

Para lembrar: nova geração de Sinaloa

Jovens e bilionários criados em um ambiente urbano, os filhos dos chefões de Sinaloa usam as redes sociais para ostentar armas, dinheiro, carros importados e mulheres bonitas. “Eles não se escondem de ninguém”, afirma Carlos Rodríguez Ulloa, especialista em segurança pública e professor da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam). 

Três dos nove filhos de El Chapo, carinhosamente chamados pelos mexicanos de “Los Chapitos”, além de um afilhado, Dámaso López Serrano, jovem de 30 anos, conhecido como “El Mini Lic”, são os atuais comandantes do Cartel de Sinaloa.

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