Charles Taylor diz que aceita asilo político na Nigéria

O presidente da Libéria, Charles Taylor, disse hoje que aceita a oferta de asilo político na Nigéria, mas não deu previsão de quando deixaria o poder. Além disso, insistiu para que a transição de governo seja ordeira, encorajando os Estados Unidos a enviarem ajuda de paz. Os pedidos de Taylor - e também do líder nigeriano, Olusegun Obasanjo, tido como o principal mediador da África ocidental - por uma transição pacífica só aumentam a pressão para que o presidente George W. Bush envie soldados americanos à Libéria, garantindo um cessar-fogo na guerra que arrasa o país. Segundo a porta-voz americana Amanda Batt, antes da proposta feita pelo presidente nigeriano a Taylor, o secretário de Estado americano, Colin Powell, falou com Obasanjo. O conteúdo da conversa, no entanto, não foi revelado e, amanhã, Bush viaja para visitar cinco nações africanas, incluindo a Nigéria. Uma equipe de pelo menos 12 militares experts já estiveram na Libéria para começar a avaliar se vale a pena mandar soldados para fazer parte de uma força regional, como querem as Nações Unidas, os governos europeus e os liberianos. Os líderes da África Ocidental propõem uma força composta por 3 mil soldados. Há uma grande pressão internacional para que o presidente liberiano renuncie - no sábado, Bush disse que não tomaria ´não´ como resposta a essa questão. E Taylor está escondido em um local cercado por rebeldes. Outra complicação para Taylor é a ameaça de um julgamento por crimes de guerra, pelos quais é acusado por uma corte de Serra Leoa que tem o apoio das Nações Unidas. Mesmo diante dessa situação desfavorável, ele tem insistido para que forças de paz cheguem antes que ele próprio assegure que as lutas não vão recomeçar. Hoje, Taylor fez um anúncio depois de ter se encontrado com Osabanjo no Aeroporto de Monróvia, momento no qual o presidente nigeriano ofereceu-lhe asilo político em seu país. "Eu agradeço ao meu grande irmão por ter vindo, que me fez um convite e eu o aceitei", disse Taylor. "Mas não é irracional requerer que haja uma saída pacífica do poder", prosseguiu. Segundo ele, a participação dos Estados Unidos em uma força de paz internacional, planejada pela Libéria seria crucial em todos os sentidos. "Nós abraçamos isso; nós aceitamos isso", afirmou Taylor sobre um possível envolvimento dos americanos em uma missão de paz. Nos Estados Unidos, o senador John Warner, presidente do Comitê de Serviços Armados, afirmou que o Congresso deveria fazer uma votação sobre um posicionamento estratégico de soldados americanos na Libéria. "Mas estamos pensando muito cuidadosamente sobre a inserção de nossas forças lá", explicou. A administração Bush se mostrou pouco entusiasmada pela aceitação de asilo político por Taylor. "O que o presidente tem dito é que Taylor tem de partir; e partir logo para que a paz possa ser restaurada", declarou Jimmy Orr, porta-voz da Casa Branca.

Agencia Estado,

06 Julho 2003 | 19h28

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