EFE/Charlie Hebdo
EFE/Charlie Hebdo

Charlie Hebdo publica edição especial um ano após atentados

A publicação, que será lançada na quarta-feira, estampa na capa um deus barbudo com um fuzil Kalashnikov e trajando vestes ensanguentadas. A imagem é acompanhada pelo título ‘1 ano depois, o assassino ainda corre’

O Estado de S. Paulo

04 Janeiro 2016 | 11h17

(Atualizada às 16h) PARIS - A França lembrará nesta semana com diversas solenidades o aniversário de um ano dos ataques de militantes islâmicos contra a redação do semanário satírico Charlie Hebdo e um mercado judaico em Paris, que deram início a um 2015 de violência sem precedentes na capital francesa.

Em memória ao atentado de 7 de janeiro, a revista publica na quarta-feira uma edição especial que trará na capa a charge de um deus barbudo com um Kalashnikov e vestes ensanguentadas. O título será "1 ano depois, o assassino ainda corre".

O número terá uma tiragem de quase um milhão de exemplares, e vários deles serão enviados para diferentes países.

A edição contará com um caderno de charges das vítimas - Charb, Honoré, Cabu, Wolinski e Tignous, cartunistas mortos em 7 de janeiro por dois radicais -, assim como de outros profissionais, além de mensagens de apoio de várias personalidades.

Entre os colaboradores externos estão a ministra francesa da Cultura, Fleur Pellerin; atrizes como Isabelle Adjani, Charlotte Gainsbourg e Juliette Binoche; intelectuais como Élisabeth Badinter, a bengalesa Taslima Nasreen e o americano Russell Banks; e o músico Ibrahim Maalouf.

O cartunista Laurent "Riss" Sourisseau, atual diretor do veículo e que ficou gravemente ferido no ataque, assina um editoral com uma ferrenha defesa da laicidade e denuncia os "fanáticos alienados pelo Alcorão" e "devotos de outras religiões" que queriam a morte da publicação por "ousar rir do religioso". "As convicções dos ateus e dos laicos podem mover mais montanhas do que a fé dos crentes", escreve.

Atualmente o semanário tem tiragem de cerca de 100 mil exemplares em bancas e, destes, pelo menos 10 mil são distribuídos no exterior. A revista conta com 183 mil assinantes.

Homenagens. Cerimônias austeras estão marcadas para ocorrer ao longo da semana, sob um forte aparato de segurança, para lembrar os ataques contra a revista e um supermercado kosher. Soldados estão mobilizados para proteger prédios oficiais e locais religiosos.

No dia 10, outra cerimônia de cunho mais público será realizada na Place de la Republique, a praça no leste de Paris na qual ocorreram imensas manifestações de apoio à liberdade de expressão e aos valores democráticos após os ataques, tornando-se assim um memorial informal.

O presidente francês, François Hollande, vai comandar a cerimônia, durante a qual um carvalho de 10 metros de altura será plantado, disse um representante do governo.

O Charlie Hebdo, famoso por suas capas satíricas ridicularizando o Islã, outras religiões e políticos, perdeu grande parte de sua cúpula editorial nos ataques de 7 de janeiro, quando militantes islâmicos abriram fogo contra os jornalistas dentro da redação. O atentado deixou 12 mortos.

Os três homens armados foram depois mortos a tiros por policiais em meio a três dias de perseguições violentas, que terminaram com a morte de quatro pessoas feitas reféns em um mercado judaico. /AFP e REUTERS

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