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Chávez aceita tratar câncer no Brasil

Presidente venezuelano deve ser atendido no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo

Tânia Monteiro, Lisandra Paraguassu e Rui Nogueira / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2011 | 00h00

O presidente Hugo Chávez, da Venezuela, aceitou a oferta de sua colega brasileira, Dilma Rousseff, para se tratar do câncer "na região pélvica" em um hospital de São Paulo. O sinal verde de Caracas veio no final da manhã de ontem, em um encontro no Planalto que reuniu a presidente Dilma, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, o embaixador da Venezuela em Brasília, Maximilien Sánchez Arveláiz, e o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

 

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A tendência é que o tratamento seja realizado no Hospital Sírio-Libanês. Maduro veio ao Brasil em viagem sigilosa, sem agenda oficial nem anúncio de seu encontro no Planalto com Dilma. A presidente brasileira havia feito a oferta logo que soube que Chávez, de 56 anos, tinha se submetido em Havana, no mês passado, a uma cirurgia para a retirada de um tumor cancerígeno.

O estado de saúde do líder socialista, de 56 anos, tem sido um mistério desde que foi submetido a uma cirurgia em Cuba. Uma fonte próxima à equipe médica que cuida do presidente disse à Reuters na semana passada que ele teria câncer de cólon.

A ausência do carismático líder, no poder desde 1999, despertou dúvidas sobre o futuro político da Venezuela e repercutiu na comunidade internacional, forçando Chávez a fazer uma declaração à nação em 30 de junho, quando assumiu em mensagem gravada e transmitida desde Havana que estava com câncer.

Não é a primeira vez que um presidente estrangeiro é submetido a tratamento contra o câncer no Brasil. O presidente paraguaio, Fernando Lugo, disse a Chávez que ele deveria aceitar a oferta da presidente Dilma Rousseff porque ele "foi salvo" pelos médicos do Hospital Sírio-Libanês, relatou ontem ao Estado um diplomata venezuelano.

Controle de preços. Ainda ontem, Chávez emitiu um decreto para controlar os preços de bens e produtos, em uma tentativa de conter a inflação no país. A nova regulação cria um "Sistema Nacional de Preços Justos" e foi aprovada sem discussão na Assembleia Nacional graças à Lei Habilitante, que permite ao presidente governar por decreto até julho de 2012.

Chávez disse que a medida servirá para impedir a especulação e a monopolização de preços, que são, segundo ele, a principal causa da inflação no país. Em junho, os preços subiram 23,6%, índice mais alto da América Latina. "Temos que ser inflexíveis, com leis inflexíveis, para ajustar o que está errado", disse Chávez em uma reunião do conselho de ministros transmitida na TV. "O capitalismo é imoral e ladrão, e isso é para freá-lo."

O novo organismo vai regular e inspecionar os agentes econômicos sujeitos à nova regra. Mas não foram divulgados detalhes da ação desse novo órgão. Na mesma reunião, o presidente anunciou a expropriação de uma fábrica de arroz. Segundo ele, a empresa explora seus trabalhadores. O presidente venezuelano anunciou também um projeto de desenvolvimento agrícola que terá um financiamento público de US$ 300 milhões. A verba será destinada para comunas agroindustriais / COM AP

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