Chávez acusa imprensa venezuelana de conspiração

A imprensa venezuelana foi acusada nesta segunda-feira pelo governo de incentivar "uma conspiração", enquanto outros setores a criticavam pela ausência de cobertura sobre os acontecimentos que levaram no fim de semana ao retorno ao poder do presidente Hugo Chávez.A estes incidentes se somam as intimidações e ataques recebidos por alguns meios de comunicação e alguns jornalistas por parte dos simpatizantes do governo, que os acusou de "manipular" as informações e divulgar "mentiras" para prejudicar Chávez.As relações entre o governo e os meios de comunicação ao longo dos três anos de mandato de Chávez foram marcadas por um forte conflito. "Sobre isto, invoco a Deus ao quadrado e ao cubo", disse Chávez na segunda-feira ao pedir à mídia que reflita sobre sua postura de confronto com o governo. "Devem ter consciência da responsabilidade que têm para com sua família, com sua consciência, com a ética". Segundo ele, "é preciso impor o que tem que se impor, que é a força da verdade".Embora a imprensa tenha dado ampla cobertura a alguns casos de corrupção que comprometem membros do governo, Chávez desconsiderou as denúncias e sustentou que elas formam parte de uma "campanha da mídia" para desestabilizar seu governo.Alguns membros do governo acusaram a imprensa de ter assumido uma postura política de oposição e deixado de lado o equilíbrio informativo. "O vazio deixado pelos partidos, por sua deterioração desde o início dos anos 90, foi gradualmente... ocupado pelos meios de comunicação", disse o diretor do jornal Ultimas Noticias, Eleazar Díaz Rangel.Ele admitiu que as políticas editoriais de alguns desses meios "teve um viés muito forte, e uma posição antigoverno muito acentuada". "Creio que agora possa haver oportunidade para uma reflexão, como fez o presidente", acrescentou o diretor, que é considerado como alguém que tem simpatia pelo governo.O editor e proprietário do jornal Nuevo País, Rafael Poleo, desconsiderou os questionamentos contra a imprensa venezuelana e disse que seu papel "foi determinante" por ter dado "voz à oposição". "Em uma crise política todo o mundo assume uma atitude política", disse Poleo ao justificar a postura da imprensa venezuelana. "Como as críticas são feitas através da mídia, ele (Chávez) sente que a mídia é contra ele".O confronto entre a mídia e o presidente Chávez alcançou seu ápice em 8 e 9 de abril passado, quando o governo iniciou uma série de intermitentes cadeias de rádio e televisão, interrompendo as informações divulgadas pelos meios de comunicação sobre a greve geral convocada pelas maiores organizações empresariais e sindicais. As emissoras de televisão reagiram à ofensiva das freqüentes cadeias interferindo na rede oficial e cortando a tela em duas partes para divulgar informações sobre a greve geral.Os confrontos se tornaram mais agudos quando o governo suspendeu os sinais de todas as televisões locais por algumas horas. "Em uma sociedade democrática, isto não pode acontecer", afirmou Rangel ao criticar a suspensão dos sinais das televisões. Mas sustentou que foi "pior ainda o silêncio" que houve nas emissoras de rádio e de televisão sobre os acontecimentos que levaram em 13 de abril à retomada do Palácio do Governo pelos seguidores de Chávez.O vice-presidente editorial do jornal El Nacional, Argenis Martínez, negou que a mídia venezuelana tenha censurado com premeditação as manifestações dos simpatizantes de Chávez, dizendo que foram as intimidações feitas aos jornais, aos canais de televisão e às rádios que impediram a cobertura dos acontecimentos de 13 de abril. "Era impossível chegar a transmitir... ali só imperava uma ordem, a ordem dos que queriam impor a ameaça e o medo", acrescentou Martínez.Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL VENEZUELA

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.