Chávez admite que 'sabia tudo' sobre volta de Zelaya

Horas antes de seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente venezuelano, Hugo Chávez, admitiu ontem que "sabia de tudo" sobre o plano de Manuel Zelaya de voltar a Honduras. Ele acrescentou, no entanto, que toda a estratégia foi traçada pelo presidente deposto no golpe de 28 de junho.

AE, Agencia Estado

25 de setembro de 2009 | 07h58

O Estado apurou, para sua edição de ontem, que assessores diplomáticos em Brasília atribuem a Chávez a autoria do plano da volta de Zelaya. "Foi uma operação secreta, uma grande operação de dissimulação", disse. "Vocês precisavam ver a cara de bobo dele (do presidente de facto, Roberto Micheletti) quando lhe perguntaram onde estava Zelaya", disse Chávez, gargalhando.

O venezuelano revelou ter telefonado para o presidente da Bolívia, Evo Morales, e lhe disse "vamos a Nova York com Zelaya", enquanto o avião que levava o hondurenho - de propriedade do governo venezuelano, segundo algumas fontes - decolava da Nicarágua rumo a El Salvador. Chávez disse que sabia que o telefonema estava sendo gravado e afirmou ter feito alusão à presença de Zelaya na reunião da ONU para despistar.

No discurso na Assembleia Geral, Chávez acusou ontem o Pentágono de estar por trás do golpe contra Zelaya. Segundo a especulação de Chávez, o setor responsável pela Defesa nos Estados Unidos estaria apoiando o governo de facto e "soldados norte-americanos sabiam do golpe". Já o Departamento de Estado, que cuida da política externa, estaria buscando uma saída negociada.

"Há uma luta entre o Departamento de Estado e o Pentágono", disse Chávez. O primeiro, segundo o venezuelano, tem uma ambição "imperial". "Não querem Obama. Querem dominar o mundo, com suas bases militares, suas ameaças, suas bombas", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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