Chávez ameaça decretar estado de emergência na Venezuela

Novos setores aderiram à greve geral na Venezuela e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou decretar estado de emergência se a paralisação, que amanhã completa oito dias, não for interrompida. Hoje o presidente da Associação dos Navegadores no Rio Orinoco Luis Figalo, anunciou que 26 embarcações vão aderir amanhã à greve, o que prejudicará o transporte da produção das indústrias metalúrgicas (responsáveis por 50% das exportações não-petrolíferas do país). A Venezuela, quinto produtor mundial de petróleo, não abastece navios com o produto e derivados desde quinta-feira porque grande parte da direção e dos empregados da PDVSA se uniu à greve geral, promovida pela oposição com o objetivo de forçar Chávez a convocar um referendo sobre sua permanência no poder. Chávez se recusa a convocar o referendo, alegando que a Constituição só prevê sua realização em agosto. Chávez sofreu um novo revés hoje, com a ordem dada por um tribunal da Justiça para que o governo reconduza o capitão do petroleiro rebelado Pilin León a seu posto, um dia depois de tropas da Guarda Nacional terem tomado o controle do navio carregado com 44 milhões de litros de gasolina. A Justiça considerou que a presença de homens armados põe em risco a vida dos que estão a bordo. Chávez ordenou no sábado a tomada de 12 petroleiros cuja tripulação aderiu à greve, começando pelo Pilin. Hoje não estava claro se ele iria cumprir a determinação judicial. O presidente disse que está elaborando um plano de reestruturação da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) para impedir, "custe o que custar", que o coração da economia venezuelana seja destruído. "Não vão parar a empresa petrolífera, não vão tirar a alegria da Venezuela", disse Chávez, em seu programa semanal de rádio e televisão, levantando e beijando uma imagem do Menino Jesus. Os ânimos se inflamaram sexta-feira, depois que um franco-atirador abriu fogo contra manifestantes antichavistas na Praça Francia, no bairro de Altamira, em Caracas, matando 3 pessoas e ferindo 28. Milhares de antichavistas acompanharam os enterros hoje. O taxista português João de Gouveia, de 39 anos, admitiu ter dado os tiros e foi preso quando uma multidão tentava linchá-lo. Outros seis suspeitos estão detidos. Líderes oposicionista dizem que Gouveia agiu a mando de militares pró-Chávez. O presidente nega envolvimento. Depois das mortes de sexta-feira, a oposição passou a exigir a renúncia imediata de Chávez e convocação de eleições. As negociações entre o presidente e líderes oposicionistas foram retomadas no sábado à noite, sob mediação do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, mas praticamente não avançaram.

Agencia Estado,

08 Dezembro 2002 | 19h11

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