Chávez ameaça expropriar shopping

Líder venezuelano diz que centro comercial, ainda em construção, levará ao colapso o trânsito no centro da capital

AP e Efe, Caracas, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou ontem a expropriação de um grande shopping center que está em fase final de construção, no centro da capital, Caracas.Segundo Chávez, a expropriação é necessária porque, quando inaugurado, o shopping provocará muito trânsito na região, onde está localizado o palácio presidencial de Miraflores. Além disso, a estatização do empreendimento, permitiria ao governo usar o edifício para algo de maior "utilidade socialista", como uma escola, um hospital ou uma universidade.O shopping center Sambil tem seis andares e dez salas de cinema. "Isso vai levar ao colapso o centro de Caracas. Quem agüenta o trânsito na Avenida Urdaneta? Algo deve ser feito. Vamos revisar tudo isso e expropriar", disse em seu programa semanal de TV, "Alô, Presidente!"Durante a transmissão, Chávez ordenou ao prefeito do município de Libertador, Jorge Rodríguez, que tome as providências práticas necessárias para a expropriação. "Como vamos implementar o socialismo entregando os espaços vitais do povo a esse comércio desmesurado, consumista?"Segundo ele, construções como essa deveriam ser feitas nas periferias das cidades, junto com "cemitérios de veículos e depósitos de materiais".REFERENDOChávez também disse, no mesmo discurso, que o referendo que poderá permitir as eleições presidenciais indefinidas na Venezuela deve ser convocado para o dia 15 de fevereiro.Se sua proposta sair vencedora, ele poderá ampliar sua permanência no governo, voltando a candidatar-se em 2012, em busca de, pelo menos, um terceiro mandato presidencial.Os eleitores venezuelanos já tinham se manifestado contra a proposta no último referendo sobre o assunto, realizado no ano passado."O referendo poderia ser em fevereiro. Seria, inclusive, para fazer a vontade da oposição", disse ele em referência ao período escolhido pela oposição para desencadear uma série de atos de campanha contra a emenda da reeleição.ASSASSINATODurante o programa, Chávez também mencionou um suposto plano de assassinato contra o presidente da Bolívia, Evo Morales, sem dar detalhes sobre a autoria do complô."Esta manhã, Evo me ligou e disse que descobriram um plano de magnicídio." O presidente venezuelano recomendou que seu colega boliviano "seja cuidadoso".Evo confirmou ter falado com Chávez ontem, após o programa de TV, mas apenas para "agradecer por sua cooperação na campanha de alfabetização a todos os bolivianos que lamentavelmente ficaram se aprender a ler e escrever".Evo cumpriu agenda oficial na região mineradora de Potosí. Em seu discurso, fez várias referências à conversa com Chávez, mas em nenhum momento mencionou algo sobre o suposto complô de assassinato. A assessoria do presidente Evo também preferiu não comentar o assunto.

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