Chávez ameaça nacionalizar supermercados e açougues

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, advertiu nesta quarta-feira que nacionalizará cadeias de supermercados, armazéns e frigoríficos que façam especulação continuada de seus preços e mantenham escassez de oferta de produtos de consumo em massa."Dêem-me um pretexto... Estou fazendo um esforço de paciência, mandando mensagens aos produtores, aos frigoríficos, açougues, mercados, mas se mantiverem-se empenhados em violar os interesses públicos, vou nacionalizar. Preparem-se", disse em anúncio transmitido pela televisão.A advertência surge no momento em que há uma escassez de alguns alimentos básicos, como a carne, o que os comerciantes, produtores e importadores atribuem ao controle de preços imposto pelo governo, alguns muito abaixo dos custos de produção."Dêem-me a primeira desculpa para nacionalizar o primeiro frigorífico e eu farei isso, colocando ordem para o povo", reiterou o presidente, em cerimônia de entrega de pensões a aposentados pelo Instituto Venezuelano de Seguridade Social (IVSS), realizado no Centro Militar de Caracas.Em janeiro, ao tomar posse em seu terceiro mandato na presidência da Venezuela, Chávez anunciou que iria nacionalizar empresas de eletricidade e telefonia. Nos últimos dias, o governo acertou com companhias o valor que será pago para estatizar a Eletricidad de Caracas e a empresa de telefonia CANTV, ambas empresas de capital norte-americano e pelas quais o governo pagará US$ 1,4 bilhão.Os acordos com gigantes como a Verizon (telecomunicações), proprietária da CANTV, surpreenderam os investidores, que temiam um confisco puro e simples do capital. As ações se valorizaram expressivamente nesta semana na Bolsa de Caracas, numa aparente acomodação depois dos acordos. Revés revolucionário Apesar de se inspirar declaradamente em ícones como Che Guevara, Chávez consegue, desde que assumiu o governo, em 1999, evitar os reveses de outros revolucionários graças à capacidade de manter uma relativa paz com os mercados internacionais, ao mesmo tempo em que impõe sua agenda esquerdista. Ao contrário de seu aliado equatoriano Rafael Correa, Chávez nunca ameaçou suspender o pagamento da dívida externa e criticou o boliviano Evo Morales por deslocar tropas para apoiar nacionalizações. O presidente venezuelano também evitou uma colisão imediata com gigantes da energia, como a Exxon Mobil, que opera projetos multibilionários na Venezuela. Sem afetar as grandes empresas, Chávez tem outros recursos à disposição para consolidar seus poderes - como a autoridade para governar por decreto, através da concessão lhe dada pelo Congresso pela Lei Habilitante, e a possibilidade de cassar a autonomia do Banco Central e redesenhar os distritos eleitorais.

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