Chávez ameaça retirar embaixador de Lima caso García vença

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta sexta-feira que irá retirar seu embaixador de Lima se Alan García vencer as eleições presidenciais no Peru. Chávez fez as declarações durante um ato comemorativo de 1º de maio realizado no Teatro Teresa Carreño de Caracas, em resposta ao que considerou insultos de García a sua pessoa. O ex-presidente García disse na quinta-feira que Chávez "é um sem-vergonha ao pedir que ninguém negocie com os Estados Unidos", enquanto a Venezuela "exporta US$ 50 bilhões ao ano em petróleo ao país". "Vou antecipar que, se por obra do demônio, García chegar à Presidência do Peru, vou retirar meu embaixador, porque não vamos ter relações com um presidente canalha e ladrão", disse Chávez. "Isso que foi dito é parte da cartilha da Casa Branca que García leu. Antes, a candidata do Pentágono e do Sr. (George W.) Bush era Lourdes Flores, mas agora é García o candidato escolhido por Sr. Bush para continuar escravizando os povos da América", acrescentou. O governante da Venezuela deu "vivas" ao Peru, ao povo, aos pobres, aos trabalhadores e aos indígenas desse país. Além disso, fez votos para a vitória do nacionalista Ollanta Humala. "Ollanta tem que ganhar. Pelo Peru. Que Deus livre o Peru de um bandido como este. Que Deus livre o Peru de um corrupto como este", disse Chávez. "Ollanta, jogue para frente, ganhe as eleições e terá todo nosso apoio ao povo peruano", acrescentou o presidente. Chávez assegurou que o discurso de García é "demagógico" e frisou que se não tivesse sido insultado, não daria uma resposta como a que deu. O governante também deu uma alfinetada no atual presidente peruano, Alejandro Toledo, ao dizer que o Peru é "um país arrasado pelo neoliberalismo, sobretudo neste último Governo, que se ajoelhou diante do império e assinou o tratado de livre comércio com os Estados Unidos". Chávez disse que é mentira que a Venezuela está pedindo ao Peru e à Colômbia que não façam negócios com os EUA. "Não pedimos isso nem que não assinem o acordo. São países soberanos e têm todo o direito de fazer o que fizeram, mas nós nos retiramos da CAN porque, com a assinatura do tratado, o bloco acabou", acrescentou. Resposta de García Alan García, por sua vez, pediu aos organismo supranacionais que sancionem Chávez e qualificou como "deplorável" a ameaça de retirar o embaixador venezuelano de Lima. Em resposta às acusações do presidente venezuelano, o candidato do Partido Aprista Peruano (PAP) classificou Chávez de "primitivo" e assinalou que o governo de Lima deveria pedir aos organismos que o sancionem. O ex-presidente peruano considerou as declarações de Chávez um "chamado de alerta aos organismos hemisféricos" e insistiu que o ocorrido é "a penosa impressão de uma pessoa que não tem o nível de um chefe de Estado". O candidato peruano considerou ainda que Chávez conta com "70 ou 80 mil dólares anuais (provenientes do petróleo) para criar uma popularidade efêmera" e recordou que o venezuelano foi um golpista". García rechaçou o apoio de Chávez a Humala. Segundo ele, trata-se de "uma intromissão do primo rico que por ter petróleo se acha no direito de meter-se na casa dos outros a patadas".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.