Chávez ameaça revogar concessões de mídia "fascista"

O presidente venezuelano Hugo Chávezqualificou neste domingo seus oponentes como fascistas manipulados pela mídia alinhada com a oposição. Em seu comunicado semanal na televisão e no rádio, Cháveztambém ameaçou revogar concessões das maiores companhias derádio e televisão do país se elas "continuarem com suainsistência irracional em desestabilizar o país ao apoiar umasubversão fascista". "Se eles (os donos das emissoras) continuarem usando aconcessão para tentar quebrar o país ou derrubar o governo, euestaria na obrigação de revogá-la", afirmou Chávez durante seuprograma semanal de rádio e TV Alô Presidente. Ele informou que já determinou a revisão dos procedimentosjurídicos por meio dos quais foram outorgadas as concessões. Horas antes, falando a milhares de partidários em Caracas,Chávez, que já demitiu cerca de 2 mil funcionários grevistas daestatal petrolífera PDVSA, ameaçou intervir também nos bancos edemitir diretores e funcionários que se recusarem a trabalhar:"Os bancos que não cumprirem a lei serão multados e, se aindaresistirem a cumpri-la, teremos de remover seus diretores ouintervir neles." A ameaça às TVs foi feita no 42º dia de greve geral convocadapela oposição, que organizou hoje mais uma marcha de protesto.Dezenas de milhares de manifestantes partiram de uma praça noleste de Caracas rumo ao Forte Tiuna, o principal complexomilitar na capital, desafiando uma proibição do governo - quedeclarou o forte uma das oito zonas militares fechada nacapital. Os comentários de Chávez foram feitos ao mesmo tempo em que soldadosdo exército venezuelano bloqueavam a entrada de um parquepróximo a uma base militar diante da ameaça de uma marcha demilhares de oponentes do presidente tomar a base. Os soldados utilizaram arame farpado e tanques blindados parabloquear a entrada de Los Proceres, onde conflitos anteriorescausaram a morte de duas pessoas apenas duas semanas atrás. Mesmo assim, manifestantes reuniram-se no local para exigir oapoio das forças armadas à greve geral, que já dura 42 dias. Ossoldados lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar osmilhares de manifestantes ali reunidos. O parque é uma das oito zonas de segurança em Caracasdecretadas por Chávez. Os protestos nestas áreas são proibidos,a não ser quando autorizados pelo Ministério da Defesa. As maiores redes de televisão da Venezuela não passam nenhumcomercial, a não ser propagandas que conclamam os espectadores àgreve.

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