Chávez anuncia ''cruzada moral''contra consumo de álcool

Líder venezuelano ataca fabricante da principal cerveja do país e promete confiscar caminhões que venderem a bebida na rua

, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2010 | 00h00

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem uma "cruzada moral" para reduzir o consumo excessivo de álcool no país e atacou diretamente a empresa de alimentos Polar, maior companhia privada do setor. Chávez ordenou que as Forças Armadas confisquem caminhões da empresa que sejam pegos vendendo cerveja nas ruas. Fundada nos anos 40, a Polar tem 30 fábricas e produz uma imensa variedade de itens, incluindo a cerveja mais consumida do país.

Segundo Chávez, o presidente da Polar, Lorenzo Mendonza, "acredita que a Venezuela é um bordel". O líder venezuelano contou que, durante uma caminhada por bairros nos arredores de Caracas, viu um caminhão com cervejas da Polar estacionado em uma das ruas pelas quais passou.

"Não vi nada de estranho, o caminhão estava parado, mas não pode haver caminhões vendendo cerveja esquina por esquina. Até quando existirá tanta baixeza moral, vamos limpar nosso país", incitou o presidente venezuelano. Chávez negou que sua luta contra o consumo de álcool seja uma atitude puritana. O presidente reiterou que por trás de todos esses vícios, como o consumo de álcool, tabaco e drogas, "está a burguesia", que segundo ele, teria "ordenado a distribuição de drogas nos bairros" para criar um mercado de viciados.

No domingo, Chávez falou da suposta dependência da Polar, abastecida em sua grande maioria pelo milho produzido por empresas estatais.

Segundo o presidente, se o fornecimento for interrompido, a empresa não fabricará farinha suficiente e poderá ser expropriada pelo governo.

Em nota, a Polar disse confiar que o Estado manterá os níveis de fornecimento que a "permitam continuar trabalhando em sua capacidade máxima para garantir a produção e distribuição" de suas marcas. Em março, o governo venezuelano expropriou armazéns da empresa com a justificativa de construir casas populares. A Polar recorreu da decisão na Justiça, alegando que a medida era arbitrária e desnecessária.

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