Chávez anuncia pacote anticrise

Redução de salários de funcionários do alto escalão e aumento de impostos estão entre as principais medidas

Ruth Costas, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou ontem um pacote de medidas econômicas para combater os efeitos da crise global e da queda dos preços do petróleo. Entre elas estão restrições à importação de bens de luxo, o aumento de 9% para 12% do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e um enxugamento de órgãos do Estado que inclui a redução de gastos em publicidade - principalmente nos jornais opositores. "Às vezes vejo páginas e páginas de publicidade (estatal) nos jornais da burguesia", disse. "Estamos alimentando o inimigo."Chávez anunciou ainda uma elevação de 20% no salário mínimo (de US$ 372) até setembro e uma redução na remuneração de altos funcionários do governo. Ele disse que Estados e municípios (muitos dos quais estão nas mãos da oposição) também devem enxugar suas contas e reduzir salários do alto escalão. Com as novas medidas, a estimativa de gastos do governo prevista no orçamento de 2009 será reduzida em 6,7%. O orçamento, que fazia previsões para a arrecadação com base no barril de petróleo a US$ 60, foi revisto. Agora a previsão para o barril é de US$ 40 - pouco mais que o preço médio dos últimos três meses, de US$ 37.Chávez fez questão marcar a diferença entre seu "conjunto de medidas" e os "pacotes neoliberais" adotados pelos presidentes Carlos Andrés Pérez, em 1989, e Rafael Caldera, em 1996, e negou que a crise já tenha afetado a economia real de seu país. "Na Venezuela, ninguém sentiu uma mínima brisa ou impacto direto dessa crise global que já leva mais de um ano", afirmou. Ele evitou tomar medidas polêmicas como o aumento da gasolina, que é subsidiada (gasta-se US$ 2 para encher o tanque na Venezuela). "Essas medidas econômicas fortalecerão a economia para continuarmos a avançar na mesma direção", disse o presidente, referindo-se a seu socialismo bolivariano. "Essa é uma crise do sistema capitalista, mas no marco do capitalismo não tem solução."Segundo analistas, enquanto boa parte do mundo revê estratégias, Chávez deixou claro que prefere combater as consequências da crise com mais do mesmo. No plano econômico, estatizações e medidas que sufocam a iniciativa privada. No político, concentração de poder, além de confronto com a oposição. Para enfraquecer governadores e prefeitos opositores, ele também tomou o controle de portos e aeroportos, avançando num projeto de centralização.

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