Chávez aparece 40 vezes mais do que opositor em TV estatal

Um levantamento do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela aponta que, em novembro, o presidente Hugo Chávez, candidato à reeleição, apareceu 40 vezes mais na emissora de televisão estatal do que o seu adversário Manuel Rosales. De acordo com o CNE, órgão responsável pelas eleições presidenciais do próximo domingo na Venezuela, Chávez apareceu na TV estatal por 86,6 horas durante o mês, enquanto Rosales pôde ser visto na emissora por menos de duas horas (1,8 hora) no mesmo período. Já nas emissoras privadas, o candidato da oposição aparece mais, embora a desproporção não seja tão grande: Rosales apareceu durante 15,5 horas, e Chávez foi visto por 10,3 horas. A assimetria na campanha eleitoral é uma das principais reclamações da oposição na Venezuela. A menos de uma semana do pleito, a TV estatal ainda exibe propaganda de obras realizadas e inauguradas nas últimas semanas pelo presidente Chávez - uma delas, uma ponte sobre o Rio Orinoco, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo argumenta que faz parte de suas obrigações informar aos venezuelanos as ações do presidente e que não se trata de propaganda eleitoral. O levantamento do CNE inclui a presença de Chávez como presidente e como candidato. Não existe na Venezuela uma separação das agendas como a que aconteceu na eleição brasileira. Exposição desigual O presidente da Comissão de Participação Política e Financiamento do CNE, Vicente Díaz, afirma que os dados apontam uma exposição desigual entre os dois candidatos nos meios de comunicação. "Existe uma vantagem importante para a candidatura de Rosales nos meios de comunicação privados e uma preferência muito marcada em favor da candidatura Chávez nos canais do Estado", afirmou Díaz. Ele lembrou que os canais estatais são financiados com os recursos dos impostos e do petróleo, que são de todos os venezuelanos, enquanto os canais privados funcionam com recursos privados. Em entrevista à BBC, Díaz disse que existe um desequilíbrio na campanha, mas não há na Venezuela uma legislação eleitoral que proíba ou puna esse tipo de ação. "Existe um desequilíbrio em função de um vazio normativo. Temos um sistema eleitoral do século 21 com uma legislação do século 20", afirmou. Díaz é um dos cinco diretores do CNE, o único considerado como mais favorável à oposição. Os outros quatro são considerados, pela oposição, como mais ligados ao governo. Símbolos O ministro de Comunicação e Informação, William Lara, foi conversar com Díaz na tarde desta terça-feira, depois da divulgação do levantamento. "Eu respeito a opinião deles, mas acho que os meios estatais são objetivos e verdadeiros na hora de cobrir as atividades dos candidatos", afirmou. Lara criticou a cobertura das emissoras privadas, que segundo ele atuam de forma conjunta para beneficiar o candidato da oposição e fazer proselitismo contra o presidente Chávez. Díaz também condenou o uso de símbolos gráficos parecidos na campanha do presidente e na publicidade oficial da PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo, a maior fonte de recursos do governo. Os dois são variações da bandeira do país - três faixas nas cores azul, amarelo e vermelho, com estrelas brancas. O diretor do CNE pediu que os dois candidatos respeitem o prazo para o encerramento da campanha eleitoral, às 6 horas da manhã desta sexta-feira. Na quinta, Chávez e Rosales realizam seus últimos eventos públicos.

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