Chávez aparece bem-humorado em TV estatal

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, rompeu ontem um silêncio de uma semana com uma longa entrevista à TV estatal VTV. O líder bolivariano disse estar trabalhando menos de oito horas por dia e seguindo uma dieta recomendada pelos médicos para recuperar-se de um câncer pélvico.

LUIZ RAATZ, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2012 | 03h02

"Ainda estou me recuperando", disse o presidente. "Estou trabalhando, mas sigo as recomendações médicos e me recupero progressivamente." Bem-humorado, Chávez fez um dueto com a cantora Fabiana Ochoa na música Linda Barinas, uma canção folclórica de seu Estado. O líder bolivariano acusou o candidato da oposição, Henrique Capriles, de "populismo" por prometer levar a Venezuela a uma situação de pleno emprego e disse que as eleições de outubro serão uma batalha entre o modelo capitalista e o socialista

O presidente anunciou ainda a criação de um programa de 400 milhões de bolívares (cerca de US$ 100 milhões) para contornar a crise penitenciária do país. O projeto, com auxílio chinês, pretende instalar um sistema de monitoramento dos presídios do país para impedir a entrada de armas e drogas no sistema prisional.

"Fiquei preso por dois anos em Yare. Tinha meus livros, minha máquina de escrever e minha caminha", disse Chávez. "Saí mais maduro como homem e político e, por isso, agradeço a Deus por ter sido preso. A cadeia deveria ser assim para todos."

Rebelião. Após horas de negociações, o governo venezuelano conseguiu ontem pôr fim à rebelião de detentos no Presídio de La Planta, em Caracas. Ao menos dois civis morreram no tiroteio de quinta-feira na penitenciária. Ao longo do dia, o governo retirou 600 presos da cadeia, que enfrenta problemas de superlotação. Autoridades esperavam ainda concluir a remoção dos detentos amotinados até o fim da noite.

A rebelião em La Planta durou 21 dias. Segundo o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, os detentos seriam revistados antes de partir para os centros de detenção de El Rodeo e Yare. A penitenciária de La Planta deve ser fechada.

Cerca de 1,6 mil presos estavam entrincheirados em La Planta. Ao longo da rebelião, houve três tiroteios, em 30 de maio, 8 de abril e o de quinta-feira, o mais grave deles. O motim começou em 27 de abril, quando houve uma fuga do presídio. Antes de as negociações para o esvaziamento da cadeia terem sido concluídas, outros mil detentos já tinham sido transferidos da prisão. A ministra de Assuntos Penitenciários, Iris Varella, disse ontem que o governo planeja desocupar os presídios localizados em áreas urbanas na Venezuela.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.