Chávez aposta em reduto opositor nas eleições regionais

Não é difícil entender por que, na reta final para as eleições regionais de domingo, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, está gastando tanta energia com o Estado de Zulia, cujos líderes são hoje o alvo preferencial de suas ameaças. Quartel-general da oposição, Zulia é o retrato de uma outra Venezuela. Como definiu o próprio Chávez em um comício: uma Venezuela onde a sua ''revolução bolivariana'' ainda não começou. "Vamos converter Zulia em uma terra maravilhosa, em uma terra socialista", proclamou o presidente no fim de semana, na sua quinta viagem à região para impulsionar a candidatura de Gian Carlo Di Martino, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), ao governo do Estado. "Vamos varrer (Manuel) Rosales daqui", completou, referindo-se ao governador da região e o principal líder da oposição e o centro dos ataques. Esse é um dos dois Estados onde os adversários de Chávez venceram na votação regional de 2004 - o outro é Nueva Esparta, onde fica o balneário de Isla Margarita.Por seu peso econômico e populacional, Zulia é certamente o mais importante: é responsável por 80% da produção de petróleo venezuelana e 80% de todos os produtos agropecuários nacionais consumidos na Venezuela. Na margem ocidental do maior lago da América Latina, a sua capital, Maracaibo, também é a segunda mais populosa do país, depois de Caracas, com 3,2 milhões de habitantes."Para o presidente é uma questão de honra quebrar essa hegemonia da oposição em Zulia", disse a cientista política Ruth Guerrero, especialista em marketing político da Universidade Rafael Urdaneta, em Maracaibo. "Nessas eleições regionais, a oposição está tentando conseguir mais espaço conquistando Estados como Carabobo e Sucre ou a prefeitura de Caracas. Para Chávez, a maior de todas as vitórias simbólicas seria conseguir que seus candidatos conquistassem cargos em Zulia." Segundo pesquisas, Rosales é o preferido na disputa pela capital (75% das intenções de voto) e seu candidato, Pablo Pérez, lidera a corrida pelo governo estadual (59%). Mas os aliados do presidente têm chances em municípios como San Francisco. Vitórias chavistas são raras, mas não impossíveis, pois o atual prefeito de Maracaibo é justamente Di Martino, que disputará o governo. Nas ruas da capital, cartazes dos dois grupos disputam qualquer pedaço de muro. Onde não há propaganda de Rosales e Pérez, há fotos de Chávez e Di Martino. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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