Miraflores Palace/Reuters-17/12/2010
Miraflores Palace/Reuters-17/12/2010

Chávez ataca EUA por anularem visto de embaixador

Venezuelano diz que ação de Washington é ''imperialista'' e que Casa Branca segue se envolvendo em assuntos internos do país

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

A crise envolvendo os EUA e a Venezuela se acentuou ontem com o governo do presidente Hugo Chávez acusando a Casa Branca de "imperialista e agressiva" ao decidir revogar o visto do embaixador venezuelano em Washington.

"Nós rechaçamos esta medida da maneira mais categórica porque é um ato evidente de retaliação dentro da dinâmica de agressão contra este país", afirmou Roy Daza, presidente da Comissão de Política Externa da Assembleia Nacional, em Caracas, e aliado de Chávez.

Segundo o deputado, "parece que as posições mais duras dentro do governo do presidente Barack Obama se impõem, como as iniciativas para se envolver em assuntos internos (da Venezuela)". "A razão dessa estratégia é a de manter uma mentalidade imperial que domina a política do EUA", disse.

Na quarta-feira, os EUA decidiram revogar o visto do embaixador da Venezuela em Washington, Bernardo Álvarez. A medida foi uma reação à rejeição de Hugo Chávez ao diplomata Larry Palmer, nomeado pelo governo Obama como novo embaixador americano em Caracas.

Chávez se irritou com declarações de Palmer, que acusou a Venezuela de ter ligações fortes com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e de haver um aumento da influência cubana nas Forças Armadas venezuelanas.

Charles Luoma-Overstreet, porta-voz do Departamento de Estado para assuntos latino-americanos, disse ao Estado ontem que os EUA "haviam alertado o governo venezuelano de que haveria consequências proporcionais, incluindo a revisão do status dele (do embaixador)". Questionado se o embaixador deveria sair de Washington, ele respondeu que, de acordo com informações do governo americano, Álvarez não está nos EUA.

"Nossa decisão o impede de retornar aos EUA como embaixador", afirmou o porta-voz. Não está claro, segundo ele, como a situação poderá ser revertida. "Estamos tentando manter conversações de bastidores com a Venezuela", disse, sem entrar em detalhes.

Segundo Overstreet, a revogação do visto não significa que os dois países tenham rompido relações diplomáticas. "As duas embaixadas (em Washington e Caracas) continuam funcionando normalmente. Achamos importante ter contatos diplomáticos em momentos tensos como este", afirmou.

O porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, também deu declarações na mesma direção. Em Caracas, além do duro discurso de Daza na Assembleia Nacional, o Ministério das Relações Exteriores emitiu uma nota de protesto, condenando "a história de intervenções e agressões contra o povo venezuelano, suas instituições e sua democracia".

Os dois países, aliados até o fim dos anos 90, começaram a se distanciar depois que Chávez chegou ao poder. A situação piorou quando o então presidente George W. Bush não condenou o golpe contra o líder venezuelano em abril de 2002.

Com a eleição de Obama, a expectativa era a de que houvesse uma reaproximação entre EUA e Venezuela, mas os dois governos mantiveram as antigas divergências.

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