Chávez celebra 10 anos de triunfo sobre golpe

Em tratamento em Havana, presidente venezuelano exalta no Twitter a 'vitória do povo' contra empresário Pedro Carmona, em 13 de abril de 2002

HAVANA, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2012 | 03h03

Da clínica cubana onde está fazendo quimioterapia, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comemorou ontem os dez anos do triunfo sobre golpe fracassado que sofreu. O líder bolivariano, isolado em Havana da imprensa internacional, fez os comentários por meio de sua conta no Twitter.

"Onze de abril! Tremenda prova a que foi submetido o povo venezuelano! Bendito seja meu povo! Viveremos e venceremos!", escreveu no microblog.

À noite, também pelo Twitter, Chávez anunciou que estava no aeroporto embarcando para Caracas. Ele chegou em Cuba no sábado para sua terceira sessão de radioterapia. Chávez já foi submetido a duas cirurgias para a retirada de tumores na região pélvica e, em outubro, tentará novamente ser reeleito.

No sábado, serão completados 10 anos de sua reinstalação na presidência. "Abraços, Elías, e a todo o povo venezuelano. Estou colocando as botas de campanha! Esperem-me!", disse em outra mensagem Chávez, referindo-se a seu vice, Elías Jaua.

Em 11 de abril de 2002, sindicatos e organizações patronais da Venezuela lançaram uma marcha de centenas de milhares de pessoas rumo ao Palácio Miraflores, a sede do governo. Eles exigiam a renúncia de Chávez, que chegara ao poder em 1999.

A marcha terminou em violência - nove mortos e centenas de feridos - e na pior crise institucional de Caracas em décadas. Parte da cúpula militar retirou apoio ao presidente e declarou que ele havia "renunciado". Em seu lugar, foi colocado Pedro Carmona, presidente da principal organização patronal da Venezuela, a Fedécamaras. Imediatamente, Carmona dissolveu o Legislativo e o Judiciário.

Enquanto o drama venezuelano desenrolava-se, 14 presidentes latino-americanos - incluindo Fernando Henrique Cardoso - reuniam-se na Costa Rica. Eles lançaram uma condenação ao golpe. Os EUA apoiaram Carmona.

No dia 12, tiveram início manifestações pró-Chávez, com forte apoio de oficiais legalistas. Dois dias depois, um destacamento do Exército libertou Chávez na Base Naval de La Orchila, de onde o grupo de Carmona pretendia enviá-lo ao exterior. De crucifixo em mãos, o presidente fez um discurso pedindo calma ao país. Apesar do clima de tensão que persistiria por meses, a tentativa de golpe fracassara. / AFP

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