Chávez chama Bush de "ignorante" em entrevista à ABC

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou seu colega americano, George W. Bush, de planejar um golpe de Estado contra sua pessoa e disse que o líder americano é "muito ignorante" sobre as coisas que acontecem na América Latina e no mundo.Chávez fez estas declarações à jornalista Barbara Walters, em uma entrevista que foi exibida esta noite pela rede de televisão "ABC". O governante venezuelano admitiu a possibilidade de ter exagerado um pouco ao chamar Bush de "diabo" e "burro" no ano passado, na Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Ele poderia até pedir perdão."Chamei Bush de diabo nas Nações Unidas. Disse que era um burro, porque acho que é muito ignorante das coisas que acontecem na América Latina e no mundo. Foi um excesso da minha parte", explicou. "Mas quem causa mais danos? Ele queima pessoas e povos, e invade países", disse.O presidente venezuelano também disse que respeita como seres humanos tanto Bush como a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, embora sejam pessoas que "matam".Além disso, destacou que a CIA (agência central de inteligência americana) colabora com dissidentes dentro da Venezuela para matá-lo. "Se alguma coisa me acontecer, a culpa seria dos Estados Unidos", afirmou.Chávez também acusa a CIA de assassinar o presidente chileno Salvador Allende, em 1973, e de ter tentado matar o líder cubano Fidel Castro.Antes de iniciar sua conversa com Chávez, a entrevistadora apresentou um panorama da Venezuela, contrastando a riqueza petrolífera do país e o panorama de pobreza nos bairros de Caracas. Walters também afirmou que o presidente venezuelano se mostrou como "uma pessoa amistosa" durante a entrevista.Numa escala de 0 a 10, Chávez deu ao presidente dos EUA nota 1, "com generosidade". E afirmou que, se fosse americano, não teria problemas para derrotar Bush numa eleição. Ao comentar o fornecimento de petróleo da Venezuela aos Estados Unidos, garantiu que "não existe nenhuma intenção" de eliminar ou reduzir a oferta de 1,5 milhão de barris de petróleo diários.No entanto, "no caso de algum tipo de agressão por parte dos EUAo fornecimento seria cortado", alertou. Em sua conversa com Walters, o presidente venezuelano reafirmou o apoio de seu país a Israel. Mas disse que defenderia o Irã no caso de um ataque pelo EUA.Ele duvidou que possa haver uma invasão, porque seria "um bumerangue", considerado um ataque a todo o mundo.

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