Chávez chega à Bolívia disposto a acudir Evo Morales

Logo ao desembarcar em Cochabamba, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dispôs-se a acudir seu afilhado e acusou as elites bolivianas de promoverem um golpe de Estado contra Evo Morales. "O que acontece na Bolívia se parece muito com o que aconteceu na Venezuela em 2001 e 2002", afirmou, ao ser questionado pela imprensa sobre a crise política interna. "Evo Morales é um homem de grande coragem. Tenho fé que os soldados e o povo bolivianos vão evitar uma tragédia maior."Ardiloso, Chávez havia declarado que não desejava se intrometer nos assuntos internos da Bolívia, mas daria uma "visão internacional" e o exemplo do golpe de Estado que sofreu em 2001, "elaborado pelo Pentágono e a Casa Branca". Em um enfático exercício de comparação com a atual crise enfrentada por Morales, Chávez ressaltou que o golpe de 2001 ocorreu depois que seu governo promovera a Assembléia Constituinte na Venezuela e retirara "o domínio das elites, que lançaram o povo às portas do inferno". Chávez alimentou ainda mais suspeitas contra as elites bolivianas: "A Venezuela e a Bolívia têm os maiores recursos energéticos da América do Sul. Isso é casualidade?"Comunidade Sul-americana de NaçõesO presidente venezuelano deixou claro o modelo de integração "bolivariano" que pretende impor à Comunidade Sul-americana de Nações (Casa) neste encontro de cúpula de Cochabamba. Entusiasmado, Chávez defendeu a "reunificação" da América do Sul, a partir de sua organização em uma "confederação ou união de Repúblicas" e de sua oposição sistemática à receita neoliberal. Trata-se de uma posição que destoa do projeto imaginado pelo governo brasileiro e que tende a provocar a diáspora de países como a Colômbia e até mesmo o Peru.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.