Chávez chega a Buenos Aires para comandar ato anti-Bush

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desembarcou em Buenos Aires às 23h20 desta quinta-feira, 8, em meio a um forte esquema de segurança coordenado por militares venezuelanos. Chávez vai encabeçar um ato "antiimperialismo", organizado pela Associação Mães da Praça de Mayo, nesta sexta-feira, na capital portenha.Embora a intenção da viagem do presidente norte-americano à América Latina seja amistosa, segundo a Casa Branca, George W. Bush vai escutar muitos ruídos por onde passar, como ficou demonstrado em sua chegada ao Brasil. Porém, o maior protesto previsto não será nem no Brasil, Uruguai, Chile, Colômbia, Guatemala ou México - países por onde passará - mas sim na Argentina. Além da famosa Associação Mães da Praça de Mayo, o ato está sendo organizado pelos líderes piqueteiros (desempregados que recebem subsídios estatais) alinhados com o governo de Néstor Kirchner. A conta, no entanto, quem paga é Chávez, enquanto que a logística fica por conta de Kirchner. A presidente da entidade, Hebe de Bonafini, afirma que o ato anti-Bush terá um público de 30 a 40 mil pessoas. Porém, o evento não terá a participação de Evo Morales, presidente da Bolívia, como esperava Chávez e Bonafini. Depois de várias idas e vindas, Morales, decidiu não participar do ato anti-Bush. "O presidente definiu que não vai estar na Argentina", disse o diretor de Comunicações do governo boliviano, Gastón Núñez, à rádio Erbol. Segundo ele, Morales "não chegará a tempo" do Japão para poder assistir o ato, como havia anunciado Bonafini na última quarta-feira. Na embaixada da Bolívia, fontes explicaram que o presidente tentou antecipar sua viagem de volta do Japão, mas por "problemas técnicos" relacionados a escalas aéreas não será possível. No estádio de futebol Arquitecto Echeverri, localizado em um bairro tradicional da capital argentina, Caballito, Chávez fará um duro discurso contra Bush. A segurança do ato anti-Bush será feita por 300 militares venezuelanos que acompanham Chávez e outros 1000 piqueteiros. A entrada da força militar venezuelana na Argentina já está gerando polêmica. O deputado do opositor "Pro", Cristian Ritondo, apresentou à Câmara dos Deputados, um pedido de informações do Executivo para que explique os detalhes dessa operação. Kirchner e Chávez vão se reunir na manhã desta sexta-feira, 9 , na residência oficial de Olivos, onde terão um almoço, seguido pela assinatura de vários acordos nas áreas de energia e hidrocarbonetos entre as estatais PDVSA, da Venezuela, e Enarsa, da Argentina. Na agenda de Chávez, está prevista uma visita ao Museu da Memória, na ex-Escola de Mecânica da Marinha (Esma), onde funcionou um centro de tortura da ditadura argentina. O venezuelano também visitará uma fábrica da Sancor, empresa que recebeu a salvação financeira com um empréstimo da Venezuela de US$ 135 milhões em petrodólares. O crédito será pago com leite em pó em suaves prestações com prazo de 12 anos.

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