Chávez cita 'conspiração' no dia da independência venezuelana

Após tratamento médico em Cuba, presidente acompanhou desfile do palácio presidencial, em meio a rumores sobre trocas no ministério.

Claudia Jardim, BBC

05 de julho de 2011 | 16h57

Depois do surpreendente regresso à Venezuela após o tratamento contra o câncer em Cuba, o presidente Hugo Chávez convocou nesta terça-feira os venezuelanos a lutar pela unidade e combater "conspirações" durante as comemorações do bicentenário da independência do país.

Chávez abriu o desfile militar que marcou a data na capital venezuelana, Caracas, com um discurso transmitido ao vivo do Palácio de Miraflores, a sede da Presidência.

No pronunciamento de 16 minutos - até antes da doença, o presidente era conhecido por fazer pronunciamentos muito mais demorados - Chávez, acompanhado do alto escalão militar, voltou a afirmar que está se "recuperando" da cirurgia para retirada de um tumor cancerígeno na zona pélvica.

"Devemos vencer as divisões e conspirações, derrotando em mil batalhas aqueles que pretendem, de dentro e de fora, debilitar e trazer abaixo a pátria e sua independência", disse Chávez, sem identificar a quem se referia. "Devemos derrotá-los e derrotá-los em paz."

Na segunda-feira, o ministro da Defesa, Carlos Mata Figueroa, descartou, em entrevista à BBC Brasil, qualquer possibilidade de desestabilização entre grupos militares. "A lealdade das Forças Armadas a Chávez está mais forte que nunca", disse.

Desfile

Na zona militar de Fuerte Tiúna, no sul de Caracas, milhares de venezuelanos acompanhavam o desfile do bicentenário.

Mais do que o aniversário da independência, o eletricista Edgar Cabrera celebrava o retorno do presidente. "Sabíamos que ele não ia ficar de fora", disse. "Se hoje temos soberania e não temos os gringos enfiados aqui é graças ao comandante (Chávez)."

Acompanhada da família, a comerciante Saralys Perez também creditava à Chávez o "despertar" do nacionalismo venezuelano. "Antes não dávamos tanta importância à nossa independência. Agora a luta é pela revolução", afirmou. A filha de Saralys trazia um cartaz com a frase "Chávez bem-vindo, teu povo te ama".

Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, do Paraguai, Fernando Lugo, e do Uruguai, José Mujica, reuniram-se com Chávez no Palácio de Miraflores antes de prestigiarem o desfile. O Brasil e os demais países da região foram representados por seus ministros de Relações Exteriores.

O presidente da Venezuela retornou ao país na madrugada desta segunda-feira, após quase um mês em Cuba.

Em sua primeira aparição pública, desde a cirurgia, Chávez relatou que esteve internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) durante quatro dias e que viveu "dias difíceis".

Ele também disse que continua batalhando para vencer o câncer.

"Aqui estou, aqui estamos, prontos para a segunda, a terceira, a quarta e todas as (etapas) que vierem", disse na segunda-feira. "Juro que ganharemos essa batalha".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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