Chávez congela preços de 20 produtos básicos

Inflação no país acumula 22,7% no ano; empresas passarão por fiscalização do governo, que determinará quanto poderá ser cobrado por item

CARACAS, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h03

O governo da Venezuela congelou na terça-feira à noite o preço de 20 produtos, a maioria deles itens de limpeza caseira e alimentos. O decreto, assinado pelo vice-presidente Elías Jaua, será fiscalizado pela Superintendência Nacional de Custos e Preços Justos (Sundecop), que vai monitorar as empresas responsáveis pela fabricação dos produtos.

Entre os itens estão suco de frutas, água mineral, detergente, sabonetes, papel higiênico, pasta de dente e aparelhos de barbear. Empresas multinacionais como a Coca-Cola, a subsidiária venezuelana da Unilever e da Jonhson & Jonhson passarão pela auditoria. No total, 54 empresas serão investigadas. Delas, 37 fabricam itens de limpeza e higiene pessoal e 17, produtos alimentícios.

"O preço desses produtos não pode ser modificado sem que a Sundecop seja notificada", disse Jaua, em declarações publicadas ontem pelo diário El Universal. "Será feita uma auditoria para determinar se esses realmente serão os preços a ser cobrados."

A auditoria será feita até o dia 15, quando será estabelecido o tabelamento, após a revisão dos custos de produção. Um mês depois, será divulgada a tabela de preço máximo para o consumidor. Custos indiretos, como o de publicidade, não serão levados em conta.

"Estamos dando um prazo para as empresas, porque sabemos que muitas delas fecham no final do ano. A partir de janeiro, a fiscalização será rigorosa", acrescentou o vice-presidente.

Segundo a diretora da Sundecop, Karlin Granadillo, o preço desses produtos de primeira necessidade foi congelado porque apresentava uma variação derivada de especulação com a cotação do dólar, já que a maioria deles é importada. "Há uma disparidade importante de preços na Venezuela em comparação com o exterior. E esse plano de fiscalização vai determinar o porquê. O governo acredita que há uma carga especulativa muito forte", afirmou.

A inflação é um dos principais problemas da Venezuela. Nos 12 meses encerrados em outubro, ela atingiu 26,9%. De janeiro até o mês passado, o aumento dos preços chegou a 22,7%, segundo o Banco Central do país. / AP

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