David Fernández/Efe
David Fernández/Efe

Chávez congela preços de 20 produtos básicos na Venezuela

Empresas passarão por fiscalização do governo, que determinará quanto poderá ser cobrado por item

Associated Press

23 de novembro de 2011 | 21h15

CARACAS - O governo da Venezuela congelou o preço de 20 produtos, a maioria deles itens de limpeza caseira e alimentos. O decreto, assinado pelo vice-presidente Elías Jaua na noite da terça-feira, 22, será fiscalizado pela Superintendência Nacional de Custos e Preços Justos (Sundecop), que vai monitorar as empresas responsáveis pela fabricação dos produtos.

 

Entre os itens estão suco de frutas, água mineral, detergente, sabonetes, papel higiênico, pasta de dente e aparelhos de barbear. Empresas multinacionais como a Coca-Cola, a subsidiária venezuelana da Unilever e da Jonhson & Jonhson passarão pela auditoria. No total, 54 empresas serão investigadas. Delas, 37 fabricam itens de limpeza e higiene pessoal e 17, produtos alimentícios.

 

"O preço desses produtos não pode ser modificado sem que a Sundecop seja notificada", disse Jaua, em declarações publicadas ontem pelo diário El Universal. "Será feita uma auditoria para determinar se esses realmente serão os preços a ser cobrados."

 

A auditoria será feita até o dia 15, quando será estabelecido o tabelamento, após a revisão dos custos de produção. Um mês depois, será divulgada a tabela de preço máximo para o consumidor. Custos indiretos, como o de publicidade, não serão levados em conta.

 

"Estamos dando um prazo para as empresas, porque sabemos que muitas delas fecham no final do ano. A partir de janeiro, a fiscalização será rigorosa", acrescentou o vice-presidente.

 

Segundo a diretora da Sundecop, Karlin Granadillo, o preço desses produtos de primeira necessidade foi congelado porque apresentava uma variação derivada de especulação com a cotação do dólar, já que a maioria deles é importada. "Há uma disparidade importante de preços na Venezuela em comparação com o exterior. E esse plano de fiscalização vai determinar o porquê. O governo acredita que há uma carga especulativa muito forte", afirmou.

 

A inflação é um dos principais problemas da Venezuela. Nos 12 meses encerrados em outubro, ela atingiu 26,9%. De janeiro até o mês passado, o aumento dos preços chegou a 22,7%, segundo o Banco Central do país.

 

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