Chávez considera "grande agressão" críticas de Rice

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, considerou uma "grande agressão" de Washington as críticas da secretária de Estado, Condoleezza Rice, contra seu Governo dois diasdepois que representantes de ambos os países se reuniram nos EUA. "Há dois dias chegou para mim um relatório, eu o recebi com grande otimismo, e hoje sai isto (as declarações de Rice). Estão loucos!", declarou Chávez aos jornalistas na madrugada de sexta-feira.O presidente garantiu que cada vez que há alguma centelha de conciliação nas instáveis relações entre Caracas e Washington "saem os falcões" para desfazer o caminho.Rice definiu na quinta-feira a Venezuela como um dos maiores problemas para os EUA no continente americano e qualificou de particularmente perigosa sua aliança com Cuba, em um discurso para Comitê de Relações Exteriores da Câmara de Representantes.As declarações de Rice ocorreram dois dias depois que o subsecretário de Estado adjunto para a América Latina, Thomas Shannon, e o embaixador venezuelano nos EUA, Bernardo Alvarez, sustentassem uma reunião em Washington. Os resultados do encontro foram classificados de "otimistas" por Chávez.Rice também falou aos deputados americanos da necessidade de frear a influência da Venezuela na região, assinalando que já entrou em contato com os ministros do Exterior de Brasil, Espanha e Áustria para dizer que "têm que prestar atenção ao que está acontecendo" no país sul-americano."Quer agressão maior do que chamar outros países para supostamente confrontar a Venezuela?", questionou Chávez, que voltou a atacar de imoral o Governo Bush. Para o presidente venezuelano, os EUA estão interessados no petróleo da Venezuela, quinto exportador mundial de combustível fóssil e quarto fornecedor mais importante dos EUA.GreveCaracas exigirá uma explicação aos Estados Unidos pela afirmação da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, sobre o "apoio internacional" a uma até agora inexistente greve dos transportes no país como medida para "defender o povo venezuelano" do governo de Hugo Chávez.O anúncio foi feito hoje pela vice-ministra das Relações Exteriores para a América do Norte, Mari Pili Hernández, em um discurso à imprensa após reunir-se com representantes do escritório para assuntos latino-americanos do Departamento de Estado dos EUA. Os funcionários americanos estão visitando a Venezuela."Vamos pedir uma explicação. Já fizemos isso de forma verbal (diante da missão do Departamento de Estado) e depois faremos isso por escrito ao Governo dos EUA, em relação a que a secretária de Estado quis dizer com este tipo de referência" à suposta greve de transporte na Venezuela, disse Hernández.A vice-chanceler reiterou o pedido venezuelano a Washington para que pare a "ingerência" e "intervencionismo" nos assuntos internos do país, e sustentou que Caracas quer "boas relações" com os EUA, mas baseadas no "respeito".Hernández citou declarações "textuais" de Rice na quinta-feira, nas quais a secretária de Estado expressou que "ser útil que haja apoio internacional para a greve do sindicato de transportadoras que está acontecendo na Venezuela"."Não existe neste momento nenhuma greve do sindicato de transportadoras no país", disse Hernández, que considerou profundamente preocupante que Rice faça referência específica à greve inexistente, "porque evidentemente isto reflete outro tipo de Plano", concluiu.

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