Chávez convoca diplomata em Bogotá

A Venezuela chamou ontem para consultas seu embaixador em Bogotá, Gustavo Márquez, por causa da denúncia feita pelo país vizinho de que líderes rebeldes colombianos estariam vivendo em território venezuelano. O presidente Hugo Chávez também apresentou uma nota de protesto à missão colombiana em Caracas e o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, reuniu-se com a cúpula militar de seu país para analisar a situação.

AE, Agência Estado

17 de julho de 2010 | 08h33

Em pronunciamento em rede nacional, Chávez qualificou Uribe de "mafioso" e o acusou de tentar minar os esforços do presidente eleito, Juan Manuel Santos (que assumirá em agosto), para melhorar as relações entre os dois países. Em resposta, o governo colombiano pediu a convocação de uma reunião extraordinária da OEA para analisar a presença de "terroristas" colombianos na Venezuela.

"Isso reflete o desespero do grupo de extrema direita que rodeia Uribe para desencadear um grande conflito e impedir Santos de retomar as relações respeitosas com a Venezuela", afirmou Chávez. "O novo governo da Colômbia tem agora um grande obstáculo, que é o velho governo da Colômbia. Uribe é um mafioso e é capaz de qualquer coisa nesses últimos dias que lhe faltam. Está cheio de ódio."

Na quinta-feira, o ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, anunciou que Bogotá tem "evidências" da presença na Venezuela de quatro líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e um do Exército de Libertação Nacional (ELN).

"Chamamos o embaixador Márquez de volta para que, em Caracas, junte-se à avaliação de uma série de medidas políticas e diplomáticas que serão tomadas nas próximas horas para rejeitar a agressão do governo colombiano", disse o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

Os integrantes das Farc que estariam na Venezuela, segundo o governo colombiano, são Luciano Marín, conhecido como Iván Márquez; Rodrigo Granda, considerado o "chanceler" da guerrilha; Timoleón Jiménez, ou Timochenko; e Germán Briceño, o Grannobles. Já o membro do ELN seria Carlos Marín Guarín, o Pablito.

O governo colombiano disse ontem que manteve um "diálogo paciente" com Caracas por seis anos a respeito da presença de líderes guerrilheiros em seu território, mas agora está avaliando a possibilidade de apresentar as provas dessa presença - fotos, vídeos e mapas - para "instâncias internacionais". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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