Chávez culpa polícia de Caracas por mortes

Num duro pronunciamento transmitido pela TV na noite de domingo (madrugada de hoje no Brasil), o presidente venezuelano, Hugo Chávez, responsabilizou a Polícia Metropolitana de Caracas - comandada pelo prefeito Alfredo Peña, da oposição - pela morte de dois partidários do governo, durante uma marcha convocada pela oposição na sexta-feira. Brandindo um crucifixo e um exemplar de bolso da Constituição, Chávez prometeu punição a seus adversários políticos, que promovem uma greve geral de protesto que já dura 36 dias, aos quais qualificou de "sabotadores, criminosos e traidores da pátria".Durante o discurso que se estendeu por uma hora e meia, o presidente venezuelano deixou entrever a possibilidade de declarar um estado de exceção para conter os protestos da oposição e de ordenar uma nova intervenção na Polícia Metropolitana - como fez em novembro, até que a Justiça a declarasse ilegal. "Essa onda de violência não pode continuar e não vai continuar", assinalou. "Estou comprometido a tomar as decisões que tiver de tomar para evitar que os violentos sigam disparando a esmo contra o povo.""Tenham todos a certeza de que não tremerá minha mão direita, e muito menos a esquerda, para adotar as medidas necessárias para garantir o respeito à Constituição e às leis", acrescentou.Durante o velório dos dois simpatizantes do governo, no sábado à noite, ocorreram novos choques que deixaram pelo menos dois policiais feridos a bala. Segundo o comandante da Polícia Metropolitana, Henry Vivas, o incidente teve origem quando manifestantes pró-Chávez se dirigiram a um quartel policial das proximidades e passaram a atacar o edifício com armas de fogo. A polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los.Chávez também anunciou na TV a substituição dos gerentes grevistas da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) e a recuperação da produção da empresa, que já teria alcançado 1,5 milhão de barris diários.Versões sobre a cifra de produção da PDVSA têm variado de acordo com a fonte. Normalmente, a empresa produz 2,8 milhão de barris por dia. Segundo os petroleiros grevistas, a PDVSA continua produzindo menos de 300 mil barris por dia - como tem ocorrido ao longo da greve geral. O presidente da estatal, Alí Rodríguez, disse no domingo que a produção estava em 800 mil barris diários.

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