Chávez dá entrevista como vencedor; Capriles, otimista, pede união de país

Mostrando-se mais relaxado e confiante do que nos últimos dias da campanha, o presidente venezuelano e candidato à terceira reeleição, Hugo Chávez, votou ontem na comunidade de 23 de Enero, perto de Caracas. Eleito em 1998, Chávez concorre ao quarto mandato - terceiro sob a vigência da Constituição de 1999 -, que permitiria sua presença no Palácio de Miraflores até 2019.

ROBERTO LAMEIRINHAS , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2012 | 08h47

Seu adversário, Henrique Capriles Radonski, da Mesa da Unidade Democrática (MUD), votou cerca de uma hora depois do presidente, às 14h30, na capital, pedindo aos eleitores que ainda não tinham votado que se dirigissem aos centros eleitorais.

Pelas rigorosas regras eleitorais da Venezuela, pesquisas de boca de urna, análises e tendências não podem ser divulgadas antes do primeiro boletim oficial do Centro Nacional Eleitoral - que, por seu lado, não informa nenhum número da apuração até que se estabeleça um resultado definitivo. A previsão inicial para que isso ocorresse era meia-noite (1h30 de Brasília).

A eleição marcada pela polarização entre os dois candidatos e ameaças de violência por parte de grupos ligados ao governo acabou transcorrendo de forma tranquila, exceto por poucos incidentes isolados - a maior parte casos de falhas nas urnas eletrônicas, substituídas pela votação manual. Três mortes por assassinato, uma em Caracas e duas em Miranda, inicialmente atribuídas à disputa eleitoral, foram depois classificadas como crimes comuns.

Logo depois de votar, Chávez concedeu uma rápida entrevista coletiva na qual, pela primeira vez sem fazer rodeios, afirmou que o resultado das urnas seria respeitado. "Que ninguém tenha dúvida, a voz dos venezuelanos será reconhecida pelo governo seja ela qual for", ressaltou Chávez, afirmando ainda que a velocidade da votação - a maior parte dos eleitores votou pela manhã - poderia permitir que o CNE divulgasse o resultado antes do horário previsto.

Chávez estava acompanhado de um séquito que incluía personalidades como a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, a Prêmio Nobel da Paz guatemalteca, Rigoberta Menchú, o escritor Ignacio Ramonet e o ator americano Danny Glover.

O tenente-coronel da reserva, que liderou uma frustrada tentativa de golpe em 1992 e sofreu outra em 2002, citou o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva como testemunha de sua vocação democrática. "O Lula diz que a Venezuela é tão democrática que tem eleição toda hora e, quando não tem, o Chávez arruma uma", afirmou. "Pois eu digo que, se alguém quiser ver como funciona uma democracia, que venha à Venezuela."

Respondendo a uma jornalista, Chávez declarou ainda que se dispunha a telefonar para Capriles logo após a divulgação do resultado da eleição.

O candidato opositor, também provocado por uma pergunta, respondeu à afirmação de Chávez: "Pois eu asseguro que a primeira pessoa para quem telefonarei após a divulgação do resultado será o atual presidente da república".

Capriles também mostrava confiança na vitória e começou a sua entrevista coletiva usando um dos slogans de sua campanha: "Algo bom está acontecendo". O ex-governador de Miranda conclamou os eleitores que ainda não tinham votado a fazê-lo. E declarou que na noite de ontem "não haveria derrotados na Venezuela". "Amanhã (hoje), sairemos às ruas para trabalhar e cuidar de nossos problemas sabendo que somos todos vencedores. Vencerá a Venezuela, a Venezuela sempre vence."

Embora a maioria da últimas pesquisas, divulgadas uma semana antes da eleição, indicasse a vantagem de Chávez, havia uma tendência de crescimento da candidatura de Capriles.

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