Chávez defende cadeia para líderes de greve

A polícia procurava o líder da maior central sindical da Venezuela, depois que o presidente Hugo Chávez autorizou sua prisão por ter ajudado a organizar uma greve geral de dois meses que causou sérios danos à economia e à indústria petrolífera.Carlos Ortega, presidente da Confederação dos Trabalhadores Venezuelanos (CTV), passou para a clandestinidade depois que outro líder da greve, Carlos Fernández, líder do maior grupo empresarial do país, foi preso. Os dois são acusados de traição e outros crimes relacionados à greve, que custou ao país mais de US$ 4 bilhões.Fernández foi preso pela polícia secreta na quarta-feira e foi levado hoje a um tribunal de Caracas para ouvir as acusações contra ele."Esses oligarcas acreditavam que eram intocáveis. Eles não são intocáveis na Venezuela. Um criminoso é um criminoso", discursou Chávez durante uma cerimônia de entrega de títulos de posse de terra a camponeses, no Estado de Trujillo.Chávez pediu que a Justiça condene Fernández, presidente da Fedecámaras, e Ortega, da CTV, a 20 anos de prisão por supostamente sabotarem a indústria petrolífera, incitarem a desobediência civil "e pisotearem os direitos humanos do povo venezuelano".A acusação de traição prevê uma pena de 20 a 26 anos de prisão.A indústria petrolífera é estratégica na Venezuela, que era a quinta maior exportadora do mundo antes de a greve ter início, em 2 de dezembro. A greve terminou em 4 de fevereiro, mas o governo Chávez ainda enfrenta paralisações em alguns setores.Citando as privações causadas em todo o país pela escassez de gasolina, Chávez acusou Fernández e Ortega de serem "terroristas" que não conseguiram derrubar seu governo - tanto durante um breve golpe, em abril, como com a greve geral.O temperamental presidente também enviou uma mensagem aos estrangeiros que criticaram a prisão de Fernández. Os Estados Unidos e a Organização dos Estados Americanos (OEA) expressaram preocupação de que a prisão pudesse provocar uma escalada na crise da Venezuela."Quero lembrar a todos os governos do mundo que a Venezuela é um país soberano. Não somos colônia de ninguém!", gritou Chávez.A prisão de Fernández alimentou especulações de que Chávez começou a reprimir seus oponentes, incluindo meios de comunicação e o setor privado, que encabeçaram a tentativa de dois meses para derrubá-lo.Chávez criou um novo sistema de câmbio que retirou dos grevistas acesso a dólares, e tem ameaçado fechar meios de comunicação por terem incitado à rebelião. Ele também advertiu que irá confiscar negócios privados e propriedades para garantir o abastecimento de gasolina, alimentos e outros produtos básicos.O líder do partido governista, Willian Lara, afirmou que centenas de organizadores da greve deveriam ser processados "por crimes contra a República".Uma manifestação de protesto marcada para hoje em Caracas foi cancelada porque os organizadores não conseguiram autorização da polícia. A confederação dos trabalhadores, por seu lado, anunciou não estar planejando uma nova greve em protesto contra a prisão de Fernández.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.