Chávez delega parte de seus poderes pela 1ª vez

Câncer faz venezuelano deixar algumas de suas atribuições para vice e ministro das Finanças; ele deve iniciar segunda etapa do tratamento em Cuba

, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2011 | 00h00

CARACAS

Antes de partir para Cuba, onde se submeterá a um tratamento quimioterápico contra um câncer, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, delegou ontem parte de seus poderes ao vice-presidente Elias Jaua e ao ministro das Finanças Jorge Giordani. É a primeira vez desde que assumiu o poder, em 1999, que o líder bolivariano abre mão de algumas de suas atribuições. Segundo ele, a decisão decorre de uma "profunda reflexão".

Jaua e Giordani poderão executar dez funções administrativas que antes cabiam ao presidente. O vice-presidente poderá expropriar empresas , nomear membros do segundo escalão ministerial e de agências do governo, e alterar o orçamento de pastas do gabinete. O ministro da Economia cuidará de questões orçamentárias e fiscais.

"Farei como manda a Constituição. Delegarei algumas das decisões que eram minhas até agora para o vice-presidente Elias Jaua e Jorge Giordani", disse Chávez em reunião do conselho de ministros, transmitida por rádio e TV. "Não entregarei o governo, como querem alguns setores da oposição. Acreditem, seria o primeiro a fazê-lo, caso não tivesse a capacidade de exercer as funções de Estado. Não foi o caso nem nos piores períodos do meu pós-operatório."

A Assembleia Nacional, de maioria chavista, aprovou por unanimidade a permissão para o presidente se ausentar por 90 dias do país para tratamento médico. O período é renovável por mais três meses. Durante a discussão, parlamentares da oposição propuseram que Chávez entregasse os poderes para Jaua e desse mais detalhes sobre a doença. O bloco chavista rechaçou o pedido.

O presidente venezuelano passou por duas cirurgias em Cuba no mês passado. A primeira retirou um abcesso pélvico, e a segunda removeu um tumor abdominal. Ele chegaria a Cuba na noite de ontem e deve iniciar a segunda etapa do tratamento, com quimioterapia. / AP E REUTERS

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