Chávez descarta presença de paramilitares na Venezuela

O presidente Hugo Chávez descartou, nesta quinta-feira, que possam existir grupos paramilitares na Venezuela. O mandatário fez esta declaração em resposta à divulgação de um vídeo, por uma televisão colombiana, em que apareceu um suposto grupo de paramilitares encapuzados, que se autodenominou de Autodefesas Unidas da Venezuela (AUV). "Aqui na Venezuela não haverá nem guerra civil, nem haverá autodefesas de não sei quê, nem paramilitarismo", declarou Chávez à saída de um ato realizado no palácio presidencial em comemoração do Dia do Jornalista.Chávez disse que não fará nenhum comentário adicional em razão de "um grupinho de pessoas que saiam por aí se autodenominando, chamando-se de autodefesas". Ele sustentou que confia nas Forças Armadas, no povo e nas instituiçòes venezuelanas para impedir que o "conflito da Colômbia" chegue ao território venezuelano. Segundo o presidente, 20 mil militares estão estacionados entre os dois países para garantir a segurança na fronteira. Chávez disse esperar que o novo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, "retome o caminho da paz" no país vizinho, e acrescentou que seu governo está "às ordens para ajudar". O vice-presidente José Vicente Rangel afirmou que os organismos de inteligência investigarão a procedência do vídeo, no qual aparecem homens vestidos em uniformes militares camuflados e capuzes, para determinar "se se tratade uma montagem, de uma falsificação, de uma expressão mais de política ou de algo real".EncapuzadosNa gravação, divulgada pela televisão colombiana RCN, o suposto grupo paramilitar disse contar com 2,2 mil homens para "expulsar a guerrilha colombiana" do território venezuelano. Um dos encapuzados, que se identificou como o comandante Antonio, disse que o objetivo de seus homens - em sua maioria, militares da ativa ou da reserva da Venezuela - é mudar o panorama político onde hoje impera "o governo do narcoguerrilheiro Hugo Chávez".Rangel declarou à emissora Unión Radio que "não se pode descartar" a presença de grupos insurgentes colombianos na Venezuela, e acrescentou que "em uma fronteira de 2,2 mil quilômetros pode ser que em determinado momento haja alguma pessoa vinculada a algum setor da guerrilha". Ele afirmou que a possível existência de rebeldes colombianos na Venezuela não pode ser considerada como ocorrendo sob a proteção do Estado, e reiterou que as autoridades estão dispostas a combatê-los no momento em que forem detectados.Chávez manteve, durante seus três anos de mandato, uma ativa participação a favor do processo de paz na Colômbia - situação que despertou fortes críticas por parte de alguns grupos opositores, que o acusaram de manter relações com os grupos insurgentes colombianos. O mandatário nega ter vínculos com os grupos rebeldes.

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