André Dusek/AE
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Chávez desmente rumores de piora na saúde após dias de silêncio

Presidente passa por radioterapia para combater tumor na região pélvica.

BBC Brasil, BBC

23 de abril de 2012 | 18h18

Depois de uma ausência prolongada, que já vinha causando inquietação entre alguns venezuelanos, o presidente Hugo Chávez rompeu o silêncio nesta segunda-feira, 23, e desmentiu rumores de que seu estado de saúde tenha piorado.

"Lamentavelmente, temos que ir nos acostumando a viver em meio a rumores", disse o presidente. Chávez disse ainda que as notícias sobre uma piora na sua saúde eram parte da estratégia do que chamou de "laboratório de guerra suja" liderado pela oposição.

A última aparição pública de Chávez havia sido em um discurso em Caracas, no dia 13 de abril. Na semana passada, ele não compareceu à Cúpula das Américas, na Colômbia, nem às celebrações do Dia da Constituição da Venezuela - eventos nos quais assumiu um papel de detaque no passado.

A ausência prolongada e um silêncio pouco comum do presidente fizeram muitos venezuelanos pensarem que o mandatário estaria passando por uma etapa particularmente difícil de seu tratamento contra o câncer.

Tratamento

Chávez já havia afirmado que os últimos ciclos da radioterapia, iniciados no mês passado, seriam difíceis. Nesta segunda-feira, disse que o tratamento necessita de tempo.

O presidente disse ainda que segue desempenhando suas funções, lendo e assinando documentos e acompanhando o que diz a imprensa.

Chávez se submeteu a três cirurgias desde junho de 2011 como parte do tratamento contra o câncer. Tenta agora se recuperar da doença para disputar a reeleição em outubro.

Porém, Chávez decidiu manter em segrego alguns detalhes de sua doença - incluindo o tipo de câncer e a localização exata do tumor.

Sua estratégia contrasta com a de vários políticos que enfrentaram situações semelhantes. A maioria deles têm preferido a transparência após o diganóstico da doença.

Nos EUA, por exemplo, o presidente é obrigado a divulgar anualmente seus exames médicos.

Essa determinação seria algo impensável há algumas décadas, quando o então presidente Franklin Roosevelt governou por anos sem que seus eleitores soubessem que uma poliomielite o havia deixado em uma cadeira de rodas.

O ex-presidente francês François Mitterrand escondeu seu câncer de próstata durante mais de dez anos, até que a gravidade da doença o forçou a revelar seu segredo em 1992.

Contudo, atualmente esconder uma enfermidade é algo mais difícil para um governante.

Transparência

Quando a então candidata Dilma Roussef divulgou que estava recebendo tratamento para combater um câncer linfático, uma onda de especulações envolveu sua candidatura.

Mas, isso não a impediu de vencer o pleito. Após revelar que sofria da doença, pesquisas de opinião revelaram que sua credibilidade havia aumentado junto ao eleitorado.

O presidente paraguaio Fernando Lugo também optou pela transparência após ser diagnosticado com um linfoma em 2010.

"Por decisão dele [Lugo], desde que a doença foi descoberta, nós médicos recebemos a ordem de dar informações amplas e completas sobre o diagnóstico, o tratamento e as implicações", disse seu médico pessoal, Alfredo Boccia.

"Sempre é melhor pecar pela transparência, porque os detalhes acabam vazando. Assim se diminui a possibilidade de que os boatos cresçam como bolas de neve", afirmou Boccia.

A presidente argentina Cristina Kirchner tomou decisão semelhante ao ter um tumor diagnosticado no fim do ano passado - que em seguida foi classificado como um "falso positivo".

O presidente Chávez, por sua vez, tem feito aparições moderadas durante a campanha com o objetivo de oferecer garantias aos eleitores. Ele se baseia no argumento de que precisa ser reeleito para dar continuidade a um processo político que está se desenvolvendo na Venezuela.

* Com reportagem de Juan Paullier, da BBC Mundo em Caracas BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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