Chávez detém militares por conspiração

Para oposição, acusação é estratégia para desviar atenção dos eleitores

AFP e Reuters, Caracas, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2008 | 00h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, denunciou ontem um suposto complô de grupos opositores para assassiná-lo e assumir o poder no país. Segundo Chávez, o plano foi arquitetado por militares da ativa e da reserva que contavam com o apoio dos EUA. "Já temos vários detidos", disse o líder venezuelano, num discurso transmitido pela TV. "Não pensem em uma loucura como essa. Eu não sou o mesmo de 2002", completou, referindo-se à tentativa de golpe que o afastou do poder por dois dias seis anos atrás. Na madrugada de ontem, a TV estatal venezuelana divulgou trechos de uma conversação entre um vice-almirante e dois generais da reserva nos quais eles supostamente falavam sobre um plano para tomar o Palácio de Miraflores e explodir o avião presidencial. "Vamos tomar o Palácio de Miraflores e as televisões. O objetivo deve ser um só: (concentrar) todos os esforços onde está o senhor (Hugo Chávez)", diz um deles. A TV atribuiu uma das vozes a um general da Guarda Nacional, que identificou como Wilfredo Barroso Herrera.Segundo o promotor militar Ernesto Cedeño, Barroso Herrera e o major da reserva Elímedas Labarca Soto serão processados por instigar a rebelião na Venezuela, acusação pela qual eles podem ser condenados a penas entre 5 e 10 anos de prisão. Cedeño acrescentou que outras quatro pessoas estão prestando declarações e mais oito militares seriam interrogados durante a noite.O ministro da Defesa, general Gustavo Rangel Briceño, disse que Labarca Soto foi declarado desertor após o fracassado golpe de 2002. O governo acusou canais de TV privados de tentar ocultar o complô para proteger alguns de seus diretores, que estariam envolvidos no plano. E a oposição respondeu acusando Chávez de tentar desviar a atenção dos eleitores a menos de três meses das eleições legislativas. "A administração de (George W.) Bush está por trás desse complô, não temos nenhuma dúvida", denunciou o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro. "Conforme a investigação avance veremos de que maneira estão envolvidos diferentes órgãos do governo dos Estados Unidos."EXERCÍCIO MILITAR Durante seu discurso, Chávez confirmou ainda a chegada de dois bombardeiros russos à base aérea de Libertadores e afirmou que a colaboração militar venezuelana com a Rússia é um "aviso ao império" (EUA). "A presença dos aviões na Venezuela é um aviso", disse Chávez. "A Rússia está conosco. Somos aliados estratégicos. É uma mensagem ao império. A Venezuela já não é aquele país pobre e solitário."Os aviões farão exercícios militares no Caribe. FRASESA gravaçãoMilitar venezuelano em fita que provaria complô "Vamos tomar o Palácio de Miraflores e as televisões. O objetivo deve ser um só: (concentrar) todos os esforços onde está o senhor (Hugo Chávez)"Hugo ChávezPresidente venezuelano"Neste momento já temos vários detidos (suspeitos de participar do complô). Não pensem em uma loucura como um golpe. Eu não sou o mesmo de 2002"

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