Chávez determina ocupação militar de empresas de arroz

Governo diz que empresas se negam a respeitar congelamento de preços e deixam de produzir.

Claudia Jardim, BBC

28 de fevereiro de 2009 | 20h30

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, determinou neste sábado uma intervenção militar em todas as fábricas processadoras de arroz do país.O governo alega que as empresas têm se negado a respeitar a congelamento de preços determinada pelo Executivo e estariam deixando de produzir."Este governo está aqui para proteger ao povo, não a burguesia rica", disse o mandatário venezuelano em cadeia nacional de rádio e televisão, ao ordenar que o Exército do país ocupasse silos de processamento de arroz. "Peço apoio do povo para aprofundar a revolução."De acordo com o ministro de Agricultura, Elias Jaua, entre as primeiras indústrias afetadas estará a fábrica de alimentos Polar, a maior do país. "Há meses as empresas produtoras de arroz vêm desafiando as leis (...) no que se refere à embalagem e produção de arroz", afirmou. Jaua disse que as empresas estariam deixando de produzir o arroz branco "para evadir" o congelamento de preços imposto pelo Executivo a todos os produtos da cesta básica. No lugar desse produto, as indústrias estariam processando outros tipos de arroz que custam o dobro e não são afetados pelo tabelamento. O governo afirma que a ocupação das fábricas é de caráter temporário e está prevista na lei de Soberania Alimentar. Caso as empresas resistam a continuar produzindo sob as regras federais, o governo advertiu que poderá expropriá-las. Já na sexta-feira, de acordo com a empresa Polar, 16 mil toneladas de arroz foram retidas por autoridades venezuelanas de um silo no Estado de Guárico (região central). A empresa emitiu comunicado considerando a medida "ilícita e arbitrária" e anunciou que recorrerá aos tribunais. Desde 2002, quando o governo estabeleceu o congelamento dos preços dos produtos da cesta básica, há confronto entre empresários e governo. Os produtores alegam que a medida afeta a competitividade do setor de alimentos. Já o Executivo argumenta que a lei combate a especulação e protege as classes E e D da inflação dos produtos de primeira necessidade. A disputa política entre os dois grupos tem gerado períodos de escassez de alimentos. O ápice foi em 2007, quando leite, açúcar, arroz e feijão desapareceram dos supermercados às vésperas de um referendo para promover uma ampla reforma constitucional. Na ocasião os venezuelanos rejeitaram a proposta de reforma do governo. Alguns setores oficialistas afirmam que o desabastecimento foi um dos motivos da derrota. Desde então o governo incrementou as importações de alimentos, provenientes principalmente do Brasil e Colômbia. Cerca de 70% dos alimentos que vão à mesa dos venezuelanos são importados.Também neste sábado, Chávez rejeitou as declarações do governo dos Estados Unidos, que criticou a situação dos direitos humanos e da luta contra as drogas na Venezuela. O mandatário pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que "não se meta com ele". "Não siga o mesmo caminho estúpido que o seu antecessor", George W. Bush, afirmou. Um relatório do Departamento de Estado americano acusou a Venezuela e Bolívia de não cooperarem no combate ao tráfico de drogas na região.A Venezuela rompeu em 2005 o convênio de cooperação com a DEA (Agência Antidrogas dos EUA). Chávez afirma que, desde então, seu país "golpeou o narcotráfico como nunca antes". "A DEA apoiava o narcotráfico e o golpismo", afirmou o mandatário, ao justificar a ruptura com o convênio. "Os Estados Unidos são o primeiro consumidor de drogas do mundo (...) Como é isso que não podem deter a entrada de drogas no próprio território? É cinismo!", disse.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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