Chávez diz na ONU que Bush é "o diabo"

O povo americano tem "o diabo em casa", disse hoje o mandatário venezuelano, Hugo Chávez, referindo-se ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em discurso na 61ª Assembléia-Geral da ONU. Um dia depois da presença no pódio de Bush, o recinto "ainda cheira a enxofre", acrescentou Chávez, fazendo o sinal da cruz.Armado com um livro de Noam Chomsky - "Hegemonia ou Sobrevivência: A Busca da América pelo Domínio Global" -, Chávez concentrou seu discurso em críticas ao governo dos Estados Unidos e à sua política internacional."A pretensão hegemônica do império americano coloca em risco a sobrevivência da espécie humana", advertiu Chávez, inimigo declarado da administração Bush.O principal assento dos EUA na assembléia estava vazio enquanto Chávez discursava. O embaixador americano, John Bolton, disse depois que Chávez tinha o direito de expressar sua opinião. "Pena que o povo da Venezuela não tenha liberdade de expressão", provocou.O mandatário convidou os presentes a ler o livro do intelectual e lingüista Chomsky, um dos mais famosos dissidentes americanos, já que "a ameaça vocês a têm em sua própria casa. O diabo está em casa". "Ontem veio aqui o diabo", acusou Chávez referindo-se a Bush. "E este local ainda cheira a enxofre".Chávez prosseguiu com sua guerra verbal contra Bush e seu governo, a quem acusa de quererem dominar o mundo."Fazemos um chamado ao povo dos Estados Unidos e ao mundo para deter essa ameaça, que é como a espada de Dâmocles", comparou Chávez.Em seu discurso no ano passado, Chávez também utilizou um tom desafiador em relação a Washington, mas não chegou a rotular Bush de diabo, embora já o tenha chamado anteriormente de "assassino, genocida (...) um verdadeiro louco, uma verdadeira ameaça para o mundo".Nesta quarta-feira, ele pediu à comunidade internacional para impedir a propagação da hegemonia americana e seu modelo de democracia, "imposto a bombas, invasões e artilharia".Ele acusou Washington de rotular de extremistas todos aqueles que não comungam com suas políticas."Não é que somos extremistas, o que ocorre é que o mundo está desesperado", argumentou."Ianques, go home", seria a frase, segundo Chávez, que diriam a Washington os povos do Afeganistão e do Iraque, entre outros, se pudessem se manifestar."Tenho a impressão, senhor ditador imperialista (Bush), que você vai viver o resto de seus dias com pesadelos, porque por onde vá, nós apareceremos, os que insurgimos contra o imperialismo americano", acrescentou.Discursando sobre o terrorismo, Chávez acusou os Estados Unidos de planejarem o golpe de Estado no Chile, há 33 anos, e atacou: "Eu acuso os Estados Unidos de defenderem o terrorismo".Reforma da ONUChávez renovou sua proposta pela refundação da ONU, com a ampliação de seu Conselho de Segurança, e defendeu a candidatura da Venezuela para uma vaga não permanente no conselho, acusando os EUA de apoiarem a candidatura da Guatemala porque "o império tem medo da verdade, das vozes independentes". Ele disse que o atual sistema da ONU "não funciona" e é "antidemocrático". Segundo Chávez, o "veto imoral" dos EUA permitiu que Israel cometesse um "genocídio" no Líbano com seus bombardeios de mais de um mês.Depois de 20 minutos de discurso - o limite estabelecido é 15 -, Chávez despediu-se dizendo que ainda sentia cheiro de enxofre na tribuna, "mas Deus está conosco".Dezenas de pessoas se concentraram numa praça no centro de Caracas a fim de acompanhar num telão o discurso de Chávez, que as rádios e tevês foram obrigadas a transmitir ao vivo. A multidão na praça aplaudia e gritava durante suas críticas mais duras aos EUA.Texto atualizado às 17h20

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