Chávez diz que 'chorou' quando soube estar com câncer

Mais calvo, e já candidato a mais uma reeleição, o presidente da Venezuela volta à Cuba para segunda fase da quimioterapia.

Claudia Jardim, BBC

07 de agosto de 2011 | 16h06

Em tratamento contra um câncer, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, admitiu em entrevista transmitida na TV neste domingo ter chorado ao receber do líder cubano Fidel Castro a notícia de que estava com um tumor maligno.

Na entrevista, o líder venezuelano disse ter ficado tão abalado com a notícia que pediu para ficar sozinho, durante todo um dia, para "refletir". Neste sábado, ele voltou à Cuba para a segunda fase do tratamento com quimioterapia.

"Quando soube, pedi um momento sozinho (...) fui ao banheiro ver meus olhos (no espelho) e chorei, chorei pelos meus filhos, chorei como em 12 de abril (quando sofreu o golpe de Estado)", disse Chávez.

"'Por que comigo?', me perguntava".

Chávez disse que depois se recompôs, convocou seus colaboradores para anunciar que teria de se submeter a uma cirurgia, em 20 de junho, e detalhou os riscos que correria.

No sábado o Parlamento venezuelano voltou a aprovar, por unanimidade, a autorização para que Chávez viajasse à Cuba para dar continuidade ao tratamento. Neste domingo, ele está sendo submetido a uma série de exames médicos. As sessões de quimioterapia devem começar na segunda-feira.

Chávez deve permanecer em Cuba por pelo menos cinco dias. É provável que ao retornar, ele tenha de reduzir o número de aparições públicas, em consequência dos efeitos do tratamento, diferente do que aconteceu nas últimas semanas, depois da primeira sessão de quimioterapia, Chávez se esforçou em tornar público seu processo de recuperação.

Nos primeiros dias após a primeira sessão de quimioterapia, ele marcou presença quase que diária em reuniões ministeriais transmitidas pelo canal estatal ou em aparições públicas em atos governamentais.

"Novo look"

Na primeira aparição após o início do tratamento, na última semana, Chávez apareceu calvo e disse estar com um "novo look". Ele relatou, na segunda-feira, ter decidido raspar o cabelo quando sentiu a primeira mecha de cabelo cair. No sábado, pouco antes de sua viagem à Cuba, a queda do cabelo do presidente já era bastante visível.

Apesar das dificuldades do tratamento e da dúvida sobre a real gravidade da doença - o governo não informou até agora que tipo de câncer Chávez enfrenta - o presidente venezuelano afirma que será candidato à reeleição em 2012 e está "obrigado" a vencer o pleito.

"Não perderemos, nós vamos ganhar (...) estou absolutamente seguro de que passarei com êxito por essa situação e que serei candidato", afirmou.

A oposição, por sua vez, mantem os planos de manter uma candidatura única para enfrentar o chavismo nas eleições presidenciais de 2012.

A doença do mandatário venezuelano imprimiu mudança de estilo tanto no governo, como na coalizão opositora. Seus adversários passaram a defender, em campanhas antecipadas, os programas sociais do governo, antes duramente criticados por este grupo.

Chávez, por sua vez, convocou os aliados a conquistar a classe média, que virou alvo de seus discursos. O líder venezuelano espera recuperar pelo menos dois milhões de votos perdidos desde as eleições presidenciais de 2006.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.