Chávez diz que fascistas querem tirá-lo do poder

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje a representantes do Mercosul reunidos no Brasil que setores "muito poderosos" da oposição, classificados por ele de "fascistas", lançaram uma nova ofensiva para tirá-lo do poder. Em mensagem gravada em vídeo e divulgada durante a 23ª reunião de presidentes do Mercosul, Chávez assegurou contar com o apoio da Suprema Corte e das Forças Armadas. O presidente, que cancelou sua visita ao Brasil por causa da crise iniciada na segunda-feira, assegurou que a greve geral organizada pela oposição fracassou. O vice-chanceler Arévalo Méndez Romero, que representa a Venezuela na reunião em Brasília, disse que Chávez não cancelou sua vinda ao país por causa da greve, mas porque existem "planos golpistas para provocar a violência". "Quando há uma agenda golpista de violência, o presidente não pode deixar o país", disse Méndez Romero. Ele assegurou que a população venezuelana não apóia os protestos dos opositores que, segundo afirmou, são motivados pelas reformas econômicas ditadas pelo atual governo. O vice-chanceler disse que foram descobertos pelo governo planos de atentados terroristas no metrô de Caracas, nos quais os opositores de Chávez se preparavam para lançar gás lacrimogêneo no horário de maior movimento. Méndez Romero também garantiu que "o governo nunca se retirou da mesa de negociação" e denunciou que a paralisação busca reeditar o golpe de Estado de abril, que afastou Chávez temporariamente do poder. O presidente argentino, Eduardo Duhalde, em nome de seus colegas do Mercosul disse hoje que a democracia venezuelana "está em xeque" e manifestou o apoio do bloco às negociações do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria. Duhalde destacou que tanto a Constituição venezuelana como a carta democrática da OEA devem ser respeitadas. Especulou-se hoje que a OEA iria convocar uma reunião de emergência para discutir a crise na Venezuela, contudo fontes da organização disseram que uma reunião ordinária será realizada na segunda-feira, mas a questão não consta na agenda. Chávez disse estar "muito contente" com o acordo alcançado pela Comunidade Andina de Nações e o Mercosul, primeiro passo para um acordo de livre comércio que esperam concluir até 30 de novembro de 2003.

Agencia Estado,

06 Dezembro 2002 | 19h26

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