Chávez diz que impedirá marcha para Miraflores

Qualquer tentativa de marcha em direção ao Palácio de Miraflores será impedida com todos os mecanismos de segurança possíveis, advertiu o presidente Hugo Chávez, ao se referir à intenção dos líderes dos grupos de oposição, que querem chegar até às portas da sede do governo para protestar contra o governo e exigir a sua renúncia. Em entrevista a jornalistas brasileiros na madrugada desta sexta-feira, o presidente venezuelano afirmou que o governo dispõe de todos os mecanismos de segurança necessários para impedir que qualquer grupo "radical, golpista ou fascista" da oposição se aproxime do palácio. "Como em todo regime democrático", completou Chávez, em pouco mais de uma hora de entrevista, cuja íntegra será publicada pelo jornal Estado neste domingo. Grito Desde a semana passada, os grupos de oposição, que no sábado da semana passada conseguiram realizar uma das maiores concentrações de protesto jamais vistas no país, vêm tentando organizar uma gigantesca marcha, considerada como uma das últimas cartadas para "tomar Caracas" e derrubar o governo por meio do grito. "Não há nenhuma marcha autorizada para amanhã (sexta-feira) ou para depois (sábado), e não haverá nunca uma marcha em direção a Miraflores para exigir a saída do presidente", afirmou Chávez. Três horas antes ele havia jantado com o assessor para Assuntos Internacionais do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, e com o embaixador do Brasil na Venezuela, Rui Nogueira. Chávez disse que vem advertindo a oposição para desistir dessa tentativa. "Hoje (quinta à noite) recebi com satisfação a informação que eles desistiram dessa idéia, que é apenas de alguns, já que eles estão fragmentados", afirmou. Na noite de quinta-feira, a Confederação dos Trabalhadores de Venezuela (CTV), a Fedecâmaras (empresários) e alguns partidos de oposição, maciçamente apoiados pelos meios de comunicação, decidiram chamar os venezuelanos a marchar dos quatro cantos de Caracas até a Praça Venezuela a poucos quilômetros do Palácio de Miraflores. O presidente disse ter a impressão de que, dentro da oposição, existe uma competição para ver quem é mais radical e quem faz propostas mais mirabolantes. "Afortunadamente parece que se impôs a racionalidade e parece que a marcha acabará mesmo chegando até à Praça Venezuela, a alguns quilômetros do palácio. Espero que eles cumpram", disse. Lula O presidente Chávez disse que a visita de Marco Aurélio Garcia, enviado especial de Lula a Caracas, serviu para que o futuro governo brasileiro se informasse sobre a situação política e institucional do país. "Não estou autorizado a dar detalhes de nossa conversa em duas ocasiões hoje (quinta-feira). Mas a visita foi importante e oportuna para os venezuelanos, embora não tenham ainda assumido o governo", comentou. O presidente contou ter relatado a Garcia que a Venezuela pediu apoio ao presidente Fernando Henrique Cardoso, sobretudo na área de petróleo. "Podem, por exemplo, por meio da Petrobras, explorar petróleo aqui no país e, depois, enviar seus derivados e a gasolina." Ele afirmou também que a Venezuela gostaria que o Brasil enviasse técnicos de Petrobras para ajudar a gerenciar a PDVSA (petróleos de Venezuela), a segunda maior estatal do setor petroleiro do mundo. "Pedimos isso ao presidente Cardoso e, agora, a Marco Aurélio. Mas, como disse antes, foi uma visita oportuna e afetuosa." Chávez explicou que, sempre do ponto de vista dele, o futuro governo Lula se insere em uma linha na onda de uma nova era na América Latina. Para ele, o projeto neoliberal na América Latina fracassou. "Isso é mais que evidente. Por isso creio que os povos da América Latina estão se rebuscando e, desse processo, estão surgindo líderes como Lula que, agora, aparece como presidente com uma bandeira de transformação. "Isso terá um grande impacto na América Latina. "É um fenômeno que se estenderá para toda a região, que reivindica o humanismo, a justiça, a igualdade e a busca de uma América Latina diferente da de hoje."

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